"Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Buscai sempre a Sua face."

Agostinho de Hipona



segunda-feira, 29 de abril de 2013

Bonhoeffer, a graça barata e o evangelho da prosperidade


Há 68 anos (no dia 09 de abril de 1945) morria Dietrich Bonhoeffer, pastor e teólogo da Igreja Luterana da Alemanha.

Este erudito, ordenado e doutorado aos 21 anos, autor de vários livros, é conhecido por sua coragem e seu compromisso cristão. Quando a Igreja Católica guardou silêncio e igrejas cristãs protestantes mantiveram-se à margem, com a desculpa de "neutralidade" diante do tirano e despótico regime que pretendia levantar Hitler, Bonhoeffer foi coerente com seu discurso e levantou sua voz.

Ele teve a oportunidade de ficar nos Estados Unidos em meio aos alvores que prognosticavam uma guerra mundial. No entanto, preferiu voltar ao seu país para cuidar do rebanho que Deus lhe havia entregue. Tinha sob sua responsabilidade um seminário que depois foi fechado pela Gestapo. Foi proibido de falar e ensinar mas, obedecendo ao seu chamado, continuou seu trabalho clandestinamente.

Acusado de cúmplice no plano para matar Hitler, Bonhoeffer foi preso e passou seus dois últimos anos de vida em uma prisão de Berlim, aguardando sentença final. Ali se dedicou a escrever vários de seus livros, que são conhecidos até hoje. Entre eles, "O Custo do Discipulado"1, uma joia da literatura cristã, que faz uma exposição à luz do Sermão do Monte (Mateus 5). 

Seu argumento era pôr em evidência o que significa professar uma fé abstrata, legalista e desencarnada do verdadeiro compromisso e da transformação que Jesus exige como o coração do Reino de Deus para os seus seguidores. Uma fé que não toca a alma nem a consciência, um cristianismo sem Cristo e sem cruz é uma fé estéril, inútil e vazia porque, ao final, não é sustentável. A isto Bonhoeffer chamou de “a graça barata”.

" A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina de uma congregação, é a Ceia do Senhor sem confissão dos pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado”.

73 anos depois do pastor Bonhoeffer ter escrito estas palavras em um contexto de tribulação por defender sua posição, é triste reconhecer que hoje alguns setores trilham o mesmo caminho que visa baratear a fé.

A fé se torna barata quando é oferecida como um produto de consumo para satisfazer as massas que buscam uma mensagem que se encaixe aos seus desejos pessoais. Quando é oferecida como espetáculo para um público que deseja que se adoce os ouvidos e se prometa estabilidade para seu "status quo". Quando se defende a identidade de ser filho ou filha de Deus como uma garantia para reivindicar as promessas materiais em troca de uma módica soma ou transação monetária a que alguns chamam de “lei da semeadura e da colheita” ou “pacto com Deus”.

Recentemente um tele-evangelista latino-americano ensinou (se é que se pode chamar de ensino) que devemos reclamar a Deus por qualquer necessidade material existente e pedir o "carro dos nossos sonhos como um direito adquirido por sermos seus filhos”.
Em seus trinta minutos de exposição, em nenhum momento ele fez menção a outros elementos presentes na mensagem apostólica, tais como a justiça, a responsabilidade, a obediência, o arrependimento e o seguimento como parte integral do discipulado que Jesus viveu, encarnou e buscou.

Os promotores dessas correntes correm perigo de ensinar falsos ensinamentos e, assim, reduzir a mensagem a “migalhas espirituais”. Bonhoeffer tinha razão ao afirmar que "a graça barata é o inimigo mortal da igreja".

A última conferência mundial sobre evangelização “Lausanne 3”, celebrada na Cidade do Cabo, África do Sul, se pronunciou contra a má interpretação bíblica e até a manipulação que se tem feito para alimentar o materialismo. Um dos oradores mencionou, em seu discurso intitulado "Deus promete abençoar o seu povo," que o evangelho da prosperidade distorce o conceito de bênção quando a reconhece apenas no sentido material.

Outros preletores também comentaram o problema:

“Nós não podemos usar a opção de comprar a graça de Deus, e isso é o que faz o evangelho da prosperidade”. 

“Dar é parte da nossa adoração, mas o evangelho da prosperidade faz com que o dar seja uma atividade de barganha”.

“Aos crentes é ensinado que quando fazem uma oferta a Deus podem esperar uma rentabilidade determinada. Mas Deus abençoa de acordo com a sua sabedoria, e não necessariamente com riqueza material”.

Como crentes, não podemos permanecer calados diante desses falsos ensinos que continuam a permear a igreja e prejudicam a fé. Mas o mais preocupante é que eles continuam a arrastar milhares de seguidores para beber dessas águas turvas e ilusórias. E ainda mais perturbador é que eles estão deixando para as futuras gerações um legado de discipulado que em nada reflete o coração do Reino.

Bonhoeffer não se calou porque reconheceu que seu dever como um discípulo do Senhor era falar. Deus espera algo menos de cada um de nós, hoje?

Nota:
1. Publicado no Brasil pela Editora Sinodal, com o título “Discipulado”.

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Alexander Cabezas Mora é costa-riquenho e coordena o setor de relações eclesiásticas de Viva da América Latina. É membro da secretaria administrativa do Movimento Cristão “Juntos con la Niñez” e integrante da Fraternidade Teológica Latino-americana.

Tradução: Ana Cristina Aço Martins.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Creio na Ressurreição do Corpo

“Para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário o vigor tanto do corpo como do espírito. Vigor que nos últimos meses diminuiu em mim de tal forma que hei de reconhecer minha incapacidade para exercer bem o ministério que me foi encomendado” (Ratzinger). Essa foi uma das mais surpreendentes declarações deste início de século. Uma constatação óbvia de que os seres humanos têm um corpo sujeito à velhice, dor e doença, sinais de nossa finitude. O Papa confessou, com a ajuda da limitação de seu corpo, a nossa condição humana. Mas para os crentes em Jesus de Nazaré, esta limitação é fonte de iluminação e esperança no porvir! A ressurreição de Cristo põe um ponto final em todo um sistema até então invencível: o sistema da morte.

Embora haja um número grande de evidências sobre a ressurreição de Jesus, deve ficar claro que é a fé que determinará a veracidade da ressurreição. Para o cristão, a fé na Palavra de Deus é o maior testemunho da ressurreição (I Co 15.1-4), pois o AT anunciou que o Messias não seria vencido pela morte (Os 6.2). O corpo de Jesus foi colocado em um sepulcro, fechado por uma pedra de aproximadamente 2 toneladas, difícil de ser removida (Mt 27.60), com uma escolta de aproximadamente 16 homens. A pedra foi selada, indicando que o túmulo estava sob a proteção do Império romano. Quem quer que quebrasse o selo seria morto (Mt 27:66).

A Bíblia não deixa dúvidas sobre a ressurreição física de Jesus (At 10.41; Lc 24.39). Jesus possuía um corpo material que foi sujeito à dor e morte. Porém, a morte não o limitou (Jo 11:25). A Ressurreição de Jesus de Nazaré é uma demonstração majestosa do Poder de Deus que pode salvar a todos. A Ressurreição é a consumação e o restabelecimento do Pacto. Sem a Ressurreição simplesmente não haveria redenção, pois a Ressurreição consuma a redenção (Rm 8:23). A Ressurreição de Jesus é poder na vida do crente. É por meio da Ressurreição de Cristo que Deus da vitória para o crente nesta vida (Rm 6.4,5). A conversão introduz 2 novas realidades na vida do crente, uma de morte e outra de vida. O crente é unido na morte e na Ressurreição de Cristo, assim morre para o pecado, e ressuscita juntamente com Cristo para uma vida totalmente nova (Rm 6.11). A partir da Ressurreição de Jesus de Nazaré o crente é elevado a uma nova posição (Ef. 1:17-23). A ressurreição de Cristo garante que todos os crentes ressuscitarão (ICo 15.42-52). A ressurreição nos traz paz com Deus (Rm 4.25; 5.1). vivamos Sua Ressurreição. Soli Deo Gloria.
Rev. Leandro Oliveira

sexta-feira, 29 de março de 2013

Te louvamos, ó Deus!


Nós te louvamos, ó Deus, pela promessa do Servo Sofredor; pela concepção sobrenatural de Jesus; pelo Verbo que se fez carne; pela chegada do Deus conosco.

Nós te louvamos, ó Deus, tanto pela humanidade como pela divindade de Jesus; por sua simplicidade; por suas palavras; por suas curas; por suas interferências abençoadoras; pelas ressurreições da filha de Jairo, do filho da viúva de Naim e do irmão de Maria e Marta.

Nós te louvamos porque ele não constrangeu o Pai a tirar de sua mão o cálice da morte e não desceu espetacularmente da cruz.

Nós te louvamos, ó Deus, porque o sacrifício de Jesus na cruz foi salvífico; porque ali, naquela sexta-feira, ele perdoou todos os nossos pecados e acabou definitivamente com a dívida que tínhamos contigo, pregando-a na cruz. Nós te agradecemos porque houve um tremendo sinal no céu do meio-dia até as três horas da tarde, quando ele inclinou a cabeça e morreu. Nós te louvamos porque aquela cortina que separava o absolutamente santo do absolutamente profano rompeu-se de alto a baixo no momento exato em que Jesus entregou o seu espírito em tuas mãos.

Nós te louvamos, ó Deus, porque aquelas mulheres da Galileia tiveram de levar de volta para casa os perfumes e óleos que passariam no corpo de Jesus. Nós te louvamos porque o túmulo estava vazio e porque, naquele mesmo primeiro dia da semana e primeiro dia de salvação consumada, Jesus apareceu aos discípulos em diferentes horários e lugares. Nós te louvamos por sua ascensão aos céus com as mãos abençoadoras levantadas.

Nós te louvamos, ó Deus, porque aquele que nasceu numa estrebaria, que não tinha onde reclinar a cabeça nem carregava duas dracmas na bolsa para pagar o imposto do templo está assentado à tua direita, colocando sob seus pés, progressivamente, todos os poderes hostis à tua glória e à glória de teu povo, inclusive e, por último, a morte, o mais humilhante de todos.

Nós te louvamos, ó Deus, pela volta de Jesus em poder e glória; pela ressurreição dos mortos e súbita transformação dos vivos; pela bem-sucedida separação do trigo e do joio; pelo louvor universal; pelo juízo final; pelos novos céus e nova terra; pela plenitude da salvação.

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A Editora Ultimato louva a Deus por Jesus Cristo e seu amor sacrificial por todos nós. A Páscoa é um memorial deste amor e do poder de Cristo sobre a morte. Compartilhamos esta oração de louvor com nossos leitores e clientes.

sábado, 16 de março de 2013

A contribuição cristã é a graça a nós concedida


A contribuição cristã é bíblica. Não precisamos ter constrangimento em tratar do assunto. Infelizmente, muitos líderes religiosos, movidos pela ganância e regidos por uma falsa teologia, exploram o povo em nome de Deus, usando mecanismos nada ortodoxos, para vender seus produtos, criados na fábrica do misticismo, para auferirem lucro em nome da fé. Esses desvios da sã doutrina e da ética cristã, que trazem enriquecimento para uns e vergonha para todos, têm levado muitos crentes a serem refratários com respeito à mordomia dos bens. O extremo de uns, entretanto, não pode nos levar para outro polo. Devemos cingir nossa fé e nossa conduta apenas pela Palavra de Deus.

Com respeito à contribuição cristã, precisamos observar duas coisas: 

Em primeiro lugar, os dízimos. A entrega fiel de dez por cento de tudo quanto ganhamos para o sustento da obra de Deus é um ensino presente tanto no Antigo como no Novo Testamento. Não temos o direito de subestimar os dízimos nem de subtraí-los. Não compete a nós administrá-los. Devemos entregá-los com integralidade, alegria e gratidão para a manutenção da Casa e Deus e a expansão do seu reino.
Em segundo lugar, as ofertas. O apóstolo Paulo, na segunda epístola aos coríntios, trata dessa matéria de forma esplêndida. Ali nos oferece alguns princípios que vamos, aqui, destacar: 
Primeiro, a oferta é graça mais do que obrigação (2Co 8.1). Graça é um favor imerecido. É Deus quem nos dá o privilégio de assistirmos os santos, socorrermos os necessitados e sermos seus cooperadores no avanço de sua obra. 

Segundo, a oferta não é resultado da abundância do que temos no bolso, mas da generosidade do nosso coração (2Co 8.2). As igrejas da Macedônia, mesmo passando por muita prova de tribulação, manifestaram abundância de alegria, e mesmo suportando profunda pobreza, superabundaram em grande riqueza de generosidade, ao contribuírem para os pobres da Judeia. A contribuição cristã é um privilégio e não um peso. Deve ser feita com alegria e não com pesar.

Terceiro, a oferta deve ser voluntária e proporcional (2Co 8.3,4). Contribuir por coação ou constrangimento não tem valor aos olhos de Deus. A contribuição deve ser espontânea, e também, proporcional. Os crentes da Macedônia ofertaram na medida de suas posses e mesmo acima delas. A contribuição não é para trazer sobrecarga para uns e alívio para outros, mas para que haja igualdade. Para usar uma linguagem bíblica, "o que muito colheu não teve demais; e o que pouco, não teve falta". 

Quarto, a oferta é uma dádiva da vida, mais do que de valores financeiros (2Co 8.5). É fácil entregar uma oferta financeira a uma pessoa necessitada, sem entregar com ela o coração. Os macedônios deram-se a si mesmos primeiro ao Senhor, depois fizeram a oferta aos pobres da Judeia. Antes de trazer nossa oferta, precisamos trazer nossa vida. Primeiro Deus aceita o ofertante, depois recebe a oferta. 

Quinto, a oferta é uma semeadura recompensada por Deus com farturosa colheita (2Co 9.6). Quando ofertamos para atender à necessidade dos santos, estamos fazendo uma semeadura. Quem semeia pouco, colhe pouco; quem semeia com fartura, com abundância ceifará. O bem que fazemos aos outros vem sobre nós mesmos e isso da parte do Senhor. Quem dá ao pobre, a Deus empresta. A alma generosa prosperará. A semente que se multiplica não é a que comemos, mas a que semeamos. É Deus quem nos dá semente para semear. É Deus quem supre e aumenta a nossa sementeira. É Deus quem multiplica os frutos da nossa justiça. É Deus quem nos enriquece em tudo, para agirmos com toda generosidade, a fim de que sejam tributadas a ele, as ações de graças. Quando socorremos os santos, isso não apenas supre as necessidades deles, mas também, redunda em ações de graças a Deus. Que Deus nos mova à generosidade e nos faça mordomos fiéis na administração dos bens a nós confiados!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Por uma igreja mundana


“Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele.” (Jo 3. 17).
 
Confesso que eu sonho com o dia em que a Igreja Evangélica Brasileira será uma igreja “mundana”. Não vejo o momento em que esse dia chegue. Evidentemente que não estou ansioso por ver uma Igreja secularizada e mundana no sentido de ser uma comunidade dessacralizada, imoral e apóstata. Não estou falando sobre a presença do mundo, como sistema de valores e de vida antagônicos ao projeto do Reino de Deus na Igreja. Mas falo de uma Igreja presente, atuante e transformadora do mundo e suas complexas realidades. 
 
A tradição protestante tem três maneiras básicas de entender a missão e a presença da igreja na história. A primeira delas, claro, é a Luterana. Para as igrejas oriundas da Reforma de Martinho Lutero, os reinos da graça e da espada, isto é, os domínios da Igreja e do Estado são radicalmente separados. Caminham juntos, lado a lado, mas estão separados como duas paralelas rumo ao infinito. Caminham para a mesma direção, estão debaixo do mesmo senhorio, o de Cristo, mas jamais se tocam. É a tão propalada e confundida separação entre Igreja e Estado. Neste contexto a Igreja não abre mão de sua missão profética de denunciar a injustiça e a iniquidade, mas, pouco faz para inserir-se no processo de transformação da realidade. 
 
A outra tradição protestante é a anabatista. Este grupo via não só a separação, mas, sobretudo o isolamento da Igreja em questões de política, economia, cultura e etc. Formaram verdadeiros guetos cristãos completamente alheios aos dramas e às demandas do mundo. Não só a alienação, mas também houve dentro dos anabatistas movimentos de resistência e não cooperação ou conformismo com o status quo, e como projeto alternativo ao mundo, apresentavam a própria comunidade de fé como o arquétipo de justiça e equidade. 
 
A terceira tradição é a Reformada ou Calvinista. Nesta concepção bíblica da fé cristã, a Graça deve misturar-se à Natureza para transformá-la a partir de dentro. Não uma Graça ao lado da Natureza para cooperar com ela, como no caso dos luteranos, nem uma Graça sobre a Natureza como os anabatistas, indiferentes aos rumos da vida, mas uma Graça interpenetrada à Natureza para elevá-la, purificá-la, socorrê-la, e dar novo dinamismo. Nesta concepção a Igreja não assume as funções próprias do Estado e nem se deixa dominar por ele, todavia, a comunidade de fé não se vê alheia das vicissitudes da vida social, política e econômica. Sua missão não se reduz à transmissão da fé e ao discurso religioso. Antes, à luz das Escrituras, treina os seus filhos para assumirem sua responsabilidade social no mundo. Não espera que o Estado faça todas as coisas pura e simplesmente. Não espera que surja uma consciência social naturalmente entre os homens de boa vontade constrangidos pela graça comum. 
 
Neste contexto a Igreja é pró-ativa. Incita seus filhos a se inserirem com o testemunho e o fermento do evangelho nas estruturas e fóruns do mundo onde as coisas acontecem, a fim de exercerem com plenitude sua condição de embaixadores do Reino, mordomos da criação e despenseiros da graça. Ali, se misturam aos outros homens para iluminá-los pelo testemunho do Evangelho vivendo uma ética de solidariedade, uma moral de princípios e atitudes que visem a edificação e a construção de uma sociedade mais justa, mais humanizada e mais solidária. 
 
Neste sentido uma igreja mundana é uma igreja misturada no mundo onde estão os grandes interesses de Deus, pois é lá que se acham não só os “perdidos” que precisam ouvir a mensagem do Evangelho, mas também é onde o inimigo atua com eficiência engendrando o veneno da corrupção política, o clientelismo, as políticas públicas que atentam contra a sacralidade da vida e a santidade da família, a manutenção da pobreza endêmica que só faz a manutenção perversa de currais eleitorais e a criação e a divulgação da arte e da cultura que disseminam a degradação humana e a desintegração da verdade, do bom e do belo. 
 
A vocação da Igreja é celeste, é escatológica, é a glória. Sua missão, porém, é o mundo concreto dos homens e mulheres, em meio aos seus dramas e conquistas, exercendo o ministério da reconciliação entre as luzes e as sombras, as dores e esperanças do século 21.
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Rev. Luiz Fernando dos Santos é pastor-mestre da Igreja Presbiteriana Central de Itapira (SP).