"Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Buscai sempre a Sua face."

Agostinho de Hipona



sábado, 2 de maio de 2015

Cristo é o nosso resgate

Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim. Gálatas 2:20.

AS EXPRESSÕES “Filho de Deus”, “me amou” e “se entregou por mim” são relâmpagos e trovões do céu que atacam a ideia de que somos salvos por boas obras. A nossa vontade e entendimento continham tão grandes perversidade, erro, escuridão e ignorância que somente poderiam ser libertos por meio de um resgate excessivamente caro.

Então, por que pensamos que nossa razão humana se inclina naturalmente para o melhor, podendo nos orientar corretamente? Por que pensamos que cada pessoa deve fazer o seu máximo? Por que trazemos nossos pecados terríveis, que são mera palha, a um Deus irado, q quem Moisés chama de “fogo consumidor”? Por que questionamos a Deus, tentando trocar nossos restolhos por graça e vida eterna? Ouça essa passagem. Ela diz que há tanto mal na nossa natureza que o mundo e toda a criação não podem nos reconciliar com Deus. A única solução foi o Filho de Deus ser oferecido por nossos pecados.


Considere o preço desse resgate cuidadosamente. Olhe para Cristo, que foi capturado e oferecido por você. Ele é infinitamente superior a qualquer outra coisa na criação. Como você responderá quando ouvir que um resgate tão inestimável foi pago por você? Você ainda quer trazer as suas próprias boas obras a Deus? O que é isso comparado ao feito de Cristo? Ele derramou o Seu preciosíssimo sangue pelos nossos pecados.

Somente a fé - Um ano com Lutero - Editora Ultimato

sábado, 27 de dezembro de 2014

Não tem vaga

Leitura Bíblica: Lucas 2: 1-7

Eis que estou a porta e bato (Ap. 3:20)

Numa cidade do interior seria encenada, por ocasião do Natal, uma peça sobre o nascimento de Jesus. Paulo, um rapaz com pouca experiência em teatro, teria uma pequena, mas importante participação. Sua fala era de apenas uma frase. Quando José e Maria batessem à porta da hospedaria, ele os atenderia dizendo: "Não tem vaga, vão embora". Paulo ensaiou bastante e não queria fazer feio. Durante os ensaios, ficou impressionado como o fato de Jesus ter nascido num lugar nada confortável por não haver vaga para seus pais na hospedaria.

O dia chegou e a encenação foi iniciada. Quando Maria e José se aproximaram da porta onde estava Paulo, o coração dele batia forte. José bateu e Paulo abriu a porta. José explicou que sua esposa estava grávida, não tinham onde ficar e já não aguentavam mais caminhar para procurar abrigo. Paulo disse em tom decidido: "Não tenho vaga, vão embora". No entanto, ele não bateu a porta como havia ensaiado. Ficou observando José e Maria partindo, abatidos. De repente, gritou: "Esperem, podem ficar com o meu quarto!" Alguns pensaram que Paulo tinha estragado tudo, mas a maioria dos espectadores levantou-se e aplaudiu. Foi a melhor peça de Natal já apresentada naquela cidade em todos os tempos.

No texto de hoje, lemos que Maria e José foram rejeitados em sua busca por um lugar onde pudessem descansar. Por falta de opções, foram parar num local que provavelmente servia de abrigo para animais e foi ali que nasceu o Filho de Deus. Esse fato é histórico e não pode ser mudado. No entanto, hoje podemos impedir que a rejeição se repita em nossas vidas. Jesus bate à porta de nosso corações, não mais para nascer, mas para morar em nossa vida. Podemos dizer para Jesus que temos lugar, ou podemos convidá-lo a entrar para ficar em nossa vida para sempre. Você já fez isto? Ou no seu coração também não há vaga?

Natal de verdade é quando Jesus encontra lugar para morar em nossa vida.

Presente Diário nº 17 - Por Helmuth Scholl, Curitiba - PR    


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Obediência que traz livramentos

Por Maurício Jordão
Texto base: Números 25: 1-18

Os Filhos de Israel, segundo as ordenanças de Deus, comeriam do melhor da terra que lhes fora prometida, desde que O obedecessem. Uma das advertências era a de que quando da incursão à terra prometida, o povo de Deus não se envolvesse com as filhas daqueles povos, com o fim de que não pecassem e se prostituíssem adorando os seus deuses. O falso profeta Baal, depois de não conseguir seu intento no episódio em que foi literalmente contratado pelos moabitas a profetizar contra o povo de Deus como o fim de que perdessem uma batalha (Num. 22; 23 e 24), observou que esse era o caminho para que a ira de Deus se acendesse contra o Seu povo.

As mulheres moabitas, incitaram o povo a se inclinar a seus deuses. Deus então se irou contra o povo por meio de uma praga e ordenou a Moisés que os cabeças das tribos de Israel tomassem os insurgentes, sendo provavelmente seus próprios parentes, e os enforcassem. Contudo, eles amaram mais aos seus do que a Deus e o povo continuou a pecar contra Deus. 

A narrativa bíblica conta que Finéias, filho de Eleazar, filho de Arão, o sacerdote, transpassou com sua lança um casal composto de um israelita cujo nome era Zinri e de uma midianita cujo nome era Cosbi que cometia torpeza diante dos olhos dos filhos de Israel, cessando assim a ira de Deus. 

Jesus Cristo disse que devemos amar mais a Deus do que nossos pais, filhos e cônjuges. Muitas vezes compactuamos com práticas ilícitas que destoam do caminho que Deus preparou para nós, seja por amor aos nossos, seja para sermos aceitos. Não podemos tomar o arado e olharmos para trás. Não devemos tomar a forma deste mundo tenebroso, relativizado, sem o devido temor de Deus na Sua verdade. Somos advertidos a sermos brandos, esgotarmos as possibilidades com amabilidade e paciência. Enquanto depender de nós, devemos ter paz uns com os outros, perdoar-nos uns aos outros no temor do Senhor. 

Contudo, há situações em que a firmeza e a rigidez são necessárias, tanto no trato com o nosso próximo quanto na firmeza de atos e atitudes no que se refere a nossa esperança e nossa convicção dentro do que preconiza a nossa regra única, infalível, inerrante e imutável de fé e prática que é a Palavra de Deus, e Jesus Cristo que é o modelo a ser seguido como estilo de vida em amor e perseverança. 

As pessoas estão cansadas de ouvir aquilo que não vêm. Não vivemos aquilo que pregamos. Faz-se necessário um comprometimento vivo da Igreja no que se refere ao seu chamado. Pois, nossa batalha sem fim, se dá contra hortas do mal, invisíveis, astutas, perspicazes e traiçoeiras. Não lutamos contra nossos iguais. E para vencermos esta batalha, é necessário que nos utilizemos de todos os artefatos que compõem a armadura de Deus. Não com armas carnais, mas espirituais no poder de Deus. 

Que tenhamos a mesma atitude obediente de Finéias, que não se deixou levar pelas circunstâncias adversas e tão somente agiu em obediência a Deus desviando assim Sua ira. Por isso, disse Deus a Moises: “Finéias, filho de Eliazar, filho de Arão, o sacerdote, desviou a minha ira de sobre os filhos de Israel, pois zelou o meu zelo no meio deles; de modo que no meu zelo não consumi os filhos de Israel” (v. 11). Que Deus nos conceda toda Sua misericórdia!      

sábado, 19 de julho de 2014

Quando a Igreja é Revestida com o Poder do Espírito Santo


A igreja depende do Espírito Santo. É o Espírito Santo quem aplica a obra da redenção no coração dos pecadores. É impossível haver sequer um convertido sem a obra do Espírito Santo. Charles Spurgeon diz que é mais fácil crer que um leão tornar-se-á um vegetariano do que acreditar que um só pecador seja regenerado sem a obra do Espírito Santo. O livro de Atos, nos capítulos 1 e 2 nos fala sobre quatro verdades fundamentais acerca do Espírito Santo.


Em primeiro lugar, a promessa do Espírito Santo (At 1.4-8). Jesus determinou os discípulos a não saírem de Jerusalém até que recebessem a promessa do Pai (At 1.4), o batismo com o Espírito Santo (At 1.5). Esse batismo seria também um revestimento de poder (Lc 24.49). Os discípulos, ainda influenciados por uma visão provinciana e política do reino de Deus, perguntaram a Jesus se seria nessa época que o reino seria restaurado a Israel. Jesus não alimenta as idéias messiânicas distorcidas deles e retoma o tema da promessa do Espírito, dizendo: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8). Essa promessa que se cumpriu no dia de Pentecostes é a mesma profetizada por Joel (Jl 2.28) e Isaías (Is 44.3-5).

Em segundo lugar, a busca do Espírito Santo (At 1.14). Os discípulos não aguardaram a promessa do Espírito Santo passivos, mas em oração. Os cento e vinte discípulos, entre eles os apóstolos, Maria, bem como seus outros filhos oraram durante dez dias após a ascensão de Cristo. Ao fim desse tempo, o Espírito Santo foi derramado sobre eles. Essa oração no cenáculo teve três características: primeiro, ela foi abrangente: todos eles estavam comprometidos com a busca do Espírito Santo; segundo, ela foi perseverante: todos eles perseveram em oração, sem esmorecer; terceiro, ela foi unânime, ou seja, todos tinham um só objetivo, uma só motivação, a busca do Espírito Santo. Houve unanimidade e concordância na oração. Em todos eles havia o mesmo sentimento.

Em terceiro lugar, o derramamento do Espírito Santo (At 2.1-41). No dia do Pentecostes, dez dias depois da ascensão de Cristo e da oração incessante da igreja, o Espírito Santo foi derramado. Todos os discípulos ficaram cheios do Espírito Santo. Aqueles que já tinham o Espírito Santo, pois eram convertidos, agora são cheios do Espírito Santo e revestidos com poder para testemunhar. O Espírito Santo desce sobre eles em línguas como de fogo e como um vento impetuoso e todos começam a falar as grandezas de Deus. Uma multidão se ajunta curiosa e cheia de ceticismo (At 2.12), preconceito (At 2.7) e zombaria (At 2.13). Embora o milagre tenha atraído a multidão, foi a pregação da palavra de Deus que compungiu o coração do povo e naquela manhã cerca de três mil pessoas foram convertidas a Cristo. Pedro pregou um sermão Cristocêntrico, tratando da morte, ressurreição, ascensão e senhorio de Cristo. Oração e pregação, no poder do Espírito, tornaram-se as marcas da igreja. A partir daí, aqueles que até então estavam trancados com medo dos judeus, são trancados nas prisões por falta de medo. Aqueles que se acovardaram diante dos perigos, agora enfrentam açoites, prisões e até mesmo a morte com galhardia.

Em quarto lugar, a vida cheia do Espírito Santo (At 2.42-47). Depois que a igreja ficou cheia do Espírito Santo sua vida refletiu isso e o mundo foi impactado. A plenitude do Espírito foi percebida através da firmeza na doutrina dos apóstolos, do engajamento na oração, da comunhão fraternal, da adoração fervorosa e do testemunho irrepreensível. Uma igreja cheia do Espírito tem bom testemunho dos de dentro e também dos de fora. Ela cresce em conhecimento e também em graça. Ela tem a simpatia dos homens e a aprovação de Deus. Ela cresce em santidade e também em números. Ela é embaixadora de Deus na terra e também promove festa no céu.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Quem Pratica o que Sabe é Feliz



“Ora, se sabeis estas coisas, 
bem-aventurados sois se as praticardes.” 
Jo 13.17

A contradição é uma marca inequívoca do Século 21. Ela é vista em todos os segmentos da sociedade contemporânea. Diante disso, a igreja não está imune a tal paradoxo. Hoje, vivemos um momento histórico de muita inconsistência entre aquilo que se fala e aquilo que se faz. Estamos no apogeu da crise da separação entre a ortodoxia e a ortopraxia. A ilha da incoerência tem separado a doutrina da prática, a fé da obra, a graça da ética.

Existe um divórcio sem paralelo, nunca visto na história da igreja, entre o conhecimento e a prática. Atualmente, o mundo contemporâneo é o mundo dos paradoxos. As ações são contraditórias e as atitudes são ambíguas. O saber tem sido um tipo de poder muito distante do fazer. O saber sem prática depõe contra a nossa cosmovisão cristã. Não adie o casamento do conhecimento com a prática. Procure comprovar aquilo que você conhece por intermédio daquilo que faz.

Precisamos autenticar a nossa ortodoxia com a nossa ortopraxia. O saber bíblico só tem relevância quando é praticado. A verdadeira felicidade não tem como alicerce o acúmulo de conhecimento. Você tem colocado o seu conhecimento numa dimensão concreta da vida? Como posso ser feliz? De acordo com Cristo, felizes são aqueles que praticam aquilo que sabem.


Referência para leitura: João 13.1-38