"Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Buscai sempre a Sua face."

Agostinho de Hipona



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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

JESUS: O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA



Era a última semana do ministério de Jesus. A cidade de Jerusalém estava fervilhando de peregrinos. A festa da Páscoa havia chegado mais uma vez. O sinédrio judaico, já havia contratado testemunhas falsas para acusar a Jesus. Judas, movido pela ganância, já o havia vendido e aguardava o momento de entregá-lo. É nesse clima tenso que Jesus se reúne com os discípulos no Cenáculo e ministra ao coração deles uma palavra de esperança e consolo. Descortina diante dos olhos desses homens aflitos seu propósito de preparar para eles um lugar na Casa do Pai, revelando-lhes que eles já sabiam o caminho para onde iria. Tomé, o patrono do ceticismo, retruca incontinente: "Senhor, não sabemos para onde vais, como saber o caminho?" (Jo 14.5). Jesus, então, lhe responde: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim" (Jo 14.6). Jesus faz uma auto-apresentação assaz significativa neste texto. O que na verdade, ele estava dizendo?

1. Jesus é o caminho para Deus - Jesus não é um dentre muitos outros caminhos. Ele é o único caminho. O cristianismo não lida com uma fé inclusivista. Jesus foi absolutamente exclusivista. Não existem atalhos para Deus. Não existem outras rotas que conduzem o homem ao céu. A expressão popular que proclama que toda religião é boa e todos os caminhos levam a Deus é uma mentira deslavada. A Bíblia diz que há caminhos que parecem direito ao homem, mas no final são caminhos de morte. Jesus é o único caminho que leva o homem a Deus. Jesus é a única porta do céu. Jesus é o único mediador entre Deus e os homens. Jesus é o único Salvador do mundo. Procurar ir a Deus por meio de outros mediadores é tomar um caminho largo que conduz à ruína. Abraçar uma religião que nega a exclusividade de Cristo como o único caminho para Deus é entrar por uma estrada cujo destino final é a perdição eterna.

2. Jesus é a verdade que ilumina a mente - Jesus não é um enganador. Ele não é um farsário. Ele é cheio de graça e de verdade. Ele não apenas viveu a verdade e pregou a verdade. Ele é a própria verdade. A verdade não é relativa como apregoam alguns nem flácida como pensam outros. A verdade é objetiva, translúcida e absoluta. A verdade é Jesus. Ele não é uma dentre muitas verdades. Ele não é uma divindade no panteão de muitas outras divindades. Ele não é uma das teorias dentre muitas outras propostas religiosas. Jesus é a única verdade capaz de encher nossa mente de luz e aquecer nosso coração com sólida segurança. Jesus não é uma verdade descoberta pelo homem, mas revelada por Deus. Nós o conhecemos não pelo esforço da destreza mental. Nós o conhecemos porque ele se revelou, porque ele se fez carne, porque ele tabernaculou-se entre nós cheio de graça e de verdade.

3. Jesus é a vida que satisfaz - Jesus é a vida, pois ele é a fonte da vida física e espiritual. O pecado separou o homem de Deus e o matou espiritualmente. O homem sem Deus está morto nos seus delitos e pecados. O homem sem Deus não tem apetite pelas coisas espirituais. Ele está cego para as coisas lá do alto. Seu coração está endurecido e rebelado contra Deus. O homem sem Deus é escravo do pecado, do mundo, da carne e do diabo. Ele se alimenta de cinzas e caminha para a morte eterna, porém, somente Cristo pode salvá-lo. Jesus é quem dá a vida e ele é a vida. Nenhuma religião pode tirar o homem da morte espiritual. Nenhum ritual pode levantá-lo da sepultura existencial. Somente Jesus tem a vida. Somente Jesus concede a vida. E somente Jesus é a vida. O homem busca razão para a vida em muitas fontes. Mas todas essas fontes são poluídas. O homem procura prazer na bebida, na riqueza, no sexo e no sucesso, mas o fim dessa linha é desgosto e insatisfação. Jesus, e só ele é a vida que satisfaz. Ele oferece vida e vida em abundância a todos aqueles que nele crêem.


Rev. Hernandes Dias Lopes




segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Um só mediador, Jesus Cristo




Publicado em 21 de agosto de 2009 – 0:36


por Vincent Cheung


"Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, o qual se entregou a si mesmo como resgate por todos".(1 Timóteo 2.5-6)


A ideia cristã de Deus é tão diferente de todas as outras concepções de divindade que esse ponto sozinho distingue nossa fé de todos os sistema de pensamento não cristãos, incluindo o Judaísmo e Islamismo. Somente diluindo severamente nossa ideia de Deus podemos dizer que afirmamos o monoteísmo com eles num sentido similar. Nós de fato afirmamos que há um Deus, como eles dizem fazer, mas Deus revelou que ele é uma Trindade, de forma que um Deus que não é a Trindade não é Deus de forma alguma. Dessa forma, os não cristãos não creem em Deus, mesmo quando dizem crer. Eles podem fazer os sons que afirmam tal crença, mas seus pensamentos não correspondem a nada na realidade. Não existe tal coisa como um Deus não Trino.

A doutrina cristã sobre Jesus Cristo nos divide adicionalmente de todos os não cristãos e nossa fé dos seus sistemas de pensamento. Afirmamos que ele é plenamente divino e plenamente humano, que ele é a encarnação de Deus o Filho, e esse Deus-homem é o único mediador entre a divindade e a humanidade. Se o conceito cristão de Deus somente já é suficiente para distinguir a religião cristã de todos os sistemas não cristãos, a doutrina de Cristo como único mediador mostra-se devastadora para todas as doutrinas e tradições que falsamente alegam o nome cristão, incluindo o Catolicismo, Mormonismo e outras seitas que tomam emprestado e distorcem a fé de Jesus Cristo.

Nenhuma doutrina pode ser verdadeira se ela persuade os homens a dependerem de alguém outro que não Jesus Cristo para pleno acesso a Deus. O Catolicismo, sem dúvida, é um dos mais óbvios transgressores. O ponto de Paulo é direto e inequívoco – há somente um Deus e nenhum outro, e há somente um mediador e nenhum outro. Introduzir outras personalidades como pontes necessárias entre Deus e os homens, e a heresia ainda mais absurda, entre Cristo o Mediador e os homens, é subverter esse modelo simples de acesso espiritual. Os santos e os anjos ficariam horrorizados pela reverência que tantos indivíduos desviados têm para com eles.

Existem manifestações menos óbvias dessa tendência de colocar uma cunha entre Deus e os homens. A humanidade é propensa à idolatria, e cristãos inferiores frequentemente rejeitam ídolos não cristãos apenas para substituí-los por ídolos cristãos. Dessa forma, eles se agrupam em facções e proclamam que seguirão este pregador ou aquele professor. E porque consideram seu ídolo superior ao restante, eles se consideram superiores por segui-lo. Mas Paulo refere-se a esse problema primitivo como uma demonstração de carnalidade. Assim, quando alguém me sugere que ele é superior porque segue esse e aquele teólogo, apologista ou pregador, eu sei que ele é carnal e inferior.

Então, eruditos frequentemente se fazem mediadores entre Deus e os homens, e novamente com o fenômeno ainda mais absurdo, em mediadores entre o Mediador e os homens. Eles fazem isso tornando suas disciplinas especializadas nos estudos bíblicos em vias de acesso necessárias para um entendimento correto da Escritura. Isso coloca pessoas ordinárias à sua misericórdia, de forma que uma Bíblia que foi traduzida para o idioma do público ainda permanece fechada e proibida. Vejo eruditos que frequentemente exageram a importância de suas descobertas, e eles são estão entretidos com seus pontos limitados de interesse e pesquisa que suas conclusões com frequência já foram declaradas no texto da Escritura ou claramente refutadas pelo texto da Escritura. Seu efeito é destrutivo pois eles propagam a impressão que leitores ordinários não podem confiar no que a Bíblia diz em sentenças claras, como se algum problema no grego ou algum fato na história pudesse alterar completamente o significado do texto.

Os eruditos deveriam se perguntar: estão eles guiando homens a Cristo, ou se colocando entre Cristo e os homens ao fazer com que pareçam indispensáveis quando eles na verdade não são? A verdade é que grande parte da Bíblia é, e mesmo sem treinamento especializado, pode ser reconhecida como clara e simples, e tudo dela é lógico e sem sequer uma sugestão de paradoxo ou contradição. A habilidade mais importante na interpretação bíblica é a compreensão básica de leitura, não qualquer treinamento especializado. E parece que o último é de fato mais fácil de conseguir que o primeiro.

A doutrina que Cristo é o único mediador entre Deus e os homens carrega muitas outras implicações. Por essa razão, isso deve ser constantemente enfatizado, e devemos lutar para corrigir violações inconscientes dela em nossa teologia e prática. Por exemplo, pais que são crentes não deveriam assumir que sua fé tenha qualquer influência direta sobre a salvação dos seus filhos. Cristo é o único mediador. Um marido ou esposa não deveria assumir que ele ou ela é um crente simplesmente porque o cônjuge parece ser um. Tudo isso parece elementar, mas quantas pessoas sentem uma medida de segurança simplesmente porque estão relacionados de alguma forma com crentes devotos? Esse sentimento é uma promessa vazia. O que eu faço? Pela força que Deus me dá, eu me lanço aos pés de Cristo, envolvo meus braços ao redor dele, e recuso soltar. E tenho grande confiança diante de Deus porque tenho grande confiança que Cristo é justificado e aceito diante de Deus.

A tarefa do ministro, e de fato a tarefa de todo crente, é dizer aos pecadores que façam isso – isto é, lançar mão de Cristo, e se apegar a ele como sua própria vida e fôlego, para que possam ser salvos. A maior traição contra a graça divina e nosso santo chamado é reunir discípulos para nós mesmos. É verdade que podemos nos tornar mestres de outros, mas é para ensiná-los a confiar em Cristo, não em nós mesmos. Não podemos salvar as pessoas; não podemos dar-lhes o que precisam. Mas dizemos-lhes: “Vão até Cristo, e encontrarão salvação, poder, renovo e água viva para satisfazer vossa alma. Vão até ele agora com toda a sua mente e palavras. Somente ele pode salvar-vos da condenação, e conceder-lhes confiança diante do Santo Pai”.



Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto – Agosto/2009
http://www.vincentcheung.com/