"Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Buscai sempre a Sua face."

Agostinho de Hipona



sábado, 25 de janeiro de 2014

Pregar o Evangelho não é meio de vida

Por Sergio Lira

Alguns meses atrás, assisti uma reportagem do gênero “trágico-cômico”. Um repórter em São Paulo decidiu abrir uma igreja. Dirigiu-se à praça da Sé e, admirado com a facilidade de um homem que lá pregava, decidiu contratá-lo como “pastoral-trainner”. Pasmem! O pregador aceitou a proposta e lhe orientou como se vestir, o que deveria saber da Bíblia, como usar a voz e até o levou para um pastor que o orientou nos “detalhes comerciais”, inclusive na escolha do nome da igreja. A conversa foi sórdida e diabólica, pois o repórter disse que queria uma igreja com o nome: “Gaviões fiéis do Senhor” e o suposto pastor respondeu: “Não dá. Esse nome é ruim. Com ele você não vai atrair para a sua igreja torcedores de outros times…”.
Estou consciente que o propósito da reportagem era expor ao ridículo o evangelicalismo que hoje se espalha pelo Brasil, fazendo mercado da fé. Este tipo de mercantilismo é muito fácil de ser identificado, porém, de igual forma, tenho visto outro tipo de “negócio da fé” ganhar espaço dentro da igreja, atingindo membros, líderes, obreiros e também pastores. Para soar de forma aceitável, mui frequentemente a prática recebe o nome agradável de “bênção”. Sim, eu estou falando de dinheiro como fator de decisão, como objetivo de vida que se disfarça de múltiplas maneiras, tentando enganar qualquer crente que se deixe atrair pela busca do ter. Com propósito de trazer uma reflexão sobre o assunto à luz da palavra de Deus, abordo alguns aspectos como ponto de partida para reflexões mais detalhas e pessoais.
1. A pregação do evangelho não é uma simples questão de informar outra pessoa
Antes de mergulhar na questão propriamente dita do dinheiro, julgo mais importante expor que a tarefa missionária de anunciar a Cristo não é a simples transmissão de conhecimento de uma pessoa para outra. O evangelho (literalmente: boas notícias que merecem divulgação) não é apenas divulgar o que está escrito sobre Jesus. O evangelho é o próprio Jesus, Emanuel, Deus conosco. O apóstolo João registrou nove afirmações de Jesus acerca de sua ação salvadora, precedida da expressão: “Eu sou” (O Messias – 4.26; O Pão da vida – 6.35; A Luz do mundo – 8.12; Deus – 8.24,58; A porta – 10.7; O bom Pastor – Jo 10.11; A ressurreição e a vida – 11.25; O caminho, a verdade e a vida – Jo 14.6; A videira verdadeira – Jo 15.1). Outros textos dos evangelhos deixam bem claro que o encontro com Jesus era sempre impactado ou transformador. Costumo dizer que ninguém que se encontra com Jesus é a mesma pessoa mais. Muito, muito mais que uma notícia, o anúncio do evangelho traz consigo a manifestação do poder de Deus. Jesus mostrou isso ao revelar a vida particular da mulher samaritana (Jo 4.16-18). A aplicação pelo Espírito Santo da mensagem de salvação pela fé em Jesus tira vidas do inferno e as coloca no céu (Jo 5.24; Cl 1.13). O próprio Deus concedeu poder aos crentes para pregarem o evangelho e o Espírito Santo concede autoridade sobrenatural para os servos de Cristo testemunharem (At 1.8). O reino de trevas pode tentar atrapalhar a pregação do evangelho, mas não tem poder para impedi-la, nem muito menos superar a autoridade que Cristo concedeu aos seus filhos (Mt 28.18).
Leia mais aqui na Ultimatoonline.
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Sérgio Paulo Ribeiro Lyra é pastor e coordenador do Consórcio Presbiteriano para Ações Missionárias no Interior.  Autor de Cidades do Interior (Ultimato/Betel) e “Cidades para a Glória de Deus” (Visão Mundial). É missiólogo e professor do Seminário Presbiteriano em Recife (PE).

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Fazemos parte dessa história


O natal não foi a história de um nascimento casual, sem planejamento. O nascimento de Jesus não foi um descuido nem simplesmente a escolha de um casal comprometido pelo amor. O natal foi decisão de Deus. Foi iniciativa do céu. Não foi engendrado pelo desiderato do homem, mas resultado do beneplácito divino, traçado desde toda a eternidade. 

O natal foi um nascimento singular. Não houve nem haverá nenhum outro igual. O nascimento de Jesus não foi o concurso do relacionamento conjugal de José e Maria, mas a intervenção soberana do Espírito Santo de Deus nela, de tal maneira, que o seu filho não herdaria o pecado de Adão, nem seria semente do homem, mas da mulher. Por essa razão, Maria não é mãe de Deus, pois o Jesus que foi concebido por ela não passou a existir a partir do seu ventre, mas ele fez-se carne na concepção e nascimento. Ora, se ele fez-se carne, quer dizer que ele já existia antes. A Bíblia nos informa que Jesus é o verbo eterno, ele é o pai da eternidade, ele é o agente da criação de tudo o que há. Logo, Jesus como Deus que se encarnou, não pode ter tido mãe, pois é o criador, sustentador e soberano absoluto sobre todo o universo. O homem em quem o verbo se tornou, esse sim, é filho de Maria. É importante frisar que Jesus tem duas naturezas distintas: ele é plenamente Deus e plenamente homem. Antes de se encarnar, ele sempre existiu com o Pai e com o Espírito Santo na trindade excelsa. Apenas como homem, portanto, Jesus é filho de Maria. 

Outrossim, o natal é um nascimento majestoso. Mesmo cercado de pobreza, pois não havia lugar para José e Maria nas hospedarias de Belém, precisando eles encontrar abrigo numa manjedoura para Jesus nascer, ele nasceu como Rei dos reis. Os céus celebraram com efusiva e apoteótica música angelical o seu nascimento. Os magos estrangeiros prostraram-se aos seus pés reconhecendo nele o rei, o sacerdote e o profeta. O mundo o perseguiu, o crucificou, mas o Pai o ressuscitou dentre os mortos, fazendo-o assentar à sua destra. Nenhum personagem da história é mais proclamado que Jesus. Nenhuma festa de aniversário é mais embalada pelas luzes da alegria e do festejo que o aniversário de Jesus. O natal é singular, porque Jesus verdadeiramente é o Filho de Deus, que desceu da glória, fez-se carne e veio ao mundo buscar e salvar o que se havia perdido. 

Mas, o que é de suma importância para nós, é saber que fazemos parte dessa história. Jesus veio ao mundo por amor a nós. O Pai no-lo deu por amor. Estávamos no coração de Deus desde os tempos eternos e para que o seu propósito inescrutável quanto à nossa salvação fosse concretizado é que Jesus veio, se encarnou, nasceu, viveu, morreu, ressuscitou e vai voltar. O natal é expressão de amor. O natal é Deus se fazendo homem, é o Deus excelso descendo à terra, é o Rei se fazendo servo, é o dono do universo, se tornando pobre, é o transcendente se esvaziando para que nós pudéssemos ser reconciliados com Deus. Sim, fazemos parte dessa história, pois pela fé nosso coração tornou-se a estrebaria onde o Filho de Deus nasceu para reinar!

domingo, 1 de dezembro de 2013

Jesus, o Deus que vestiu pele humana

O apóstolo João, mais do que os outros evangelistas, falou-nos acerca da divindade de Jesus Cristo. No prólogo de seu evangelho já deu o rumo de sua obra: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus" (Jo 1.1). Depois de falar que esse Verbo foi o agente criador e também o doador da vida, anunciou de forma magistral: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do Unigênito do Pai" (Jo 1.14). Destacamos, portanto, aqui, quatro grandes verdades sobre o Verbo de Deus.

Em primeiro lugar, a eternidade do Verbo. "No princípio era o Verbo…" (Jo 1.1). Quando tudo teve o seu começo, o Verbo estava lá, não como alguém que passou a existir, mas como o agente de tudo o que veio à existência. O Verbo não foi causado, mas ele é causa de tudo o que existe. O Verbo não foi criado antes de todas as coisas, mas é o criador do universo no princípio (Jo 1.3). Se antes do princípio descortinava-se a eternidade e se o Verbo já existia antes do começo de tudo, o Verbo é eterno. A eternidade é um atributo exclusivo de Deus. Só Deus é eterno!

Em segundo lugar, a personalidade do Verbo. "… e o Verbo estava com Deus…" (Jo 1.1). No princípio o Verbo estava em total e perfeita comunhão com Deus. A expressão grega pros ton Theon traz a ideia que o Verbo estava face a face com Deus. Como Deus é uma pessoa e não uma energia, o Verbo é uma pessoa. O Verbo é Jesus, a segunda Pessoa da Trindade. Isso significa que antes da encarnação do Verbo, ele já existia e, isso, desde toda a eternidade e em plena comunhão com o Pai. Jesus não passou a existir depois que nasceu em Belém. Ele é o Pai da eternidade. Nas palavras do Concílio de Nicéia, ele é co-igual, co-eterno e consubstancial com o Pai. 

Em terceiro lugar, a divindade do Verbo. "… e o Verbo era Deus" (Jo 1.1). O Verbo não é apenas eterno e pessoal, mas, também, divino. Ele é Deus. Ele é a causa não causada. A origem de todas as coisas. O criador do universo. Ele é o verbo, ou seja, o agente criador de tudo que existe, das coisas visíveis e invisíveis. O Deus único e verdadeiro constitui-se em três Pessoas distintas, porém, iguais; da mesma essência e substância. O Verbo não é uma criatura, mas o criador. Não é um ser inferior a Deus, mas o próprio Deus. Embora, distinto de Deus Pai, é da mesma essência e substância. Ele é divino!

Em quarto lugar, a encarnação do Verbo. "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai" (Jo 1.14). Aqui está o sublime mistério do Natal: O eterno entrou no tempo. O transcendente tornou-se imanente. Aquele que nem o céu dos céus pode contê-lo foi enfaixado em panos e deitado numa manjedoura. Deus se fez homem, o Senhor dos senhores se fez servo. Aquele que é santo, santo, santo se fez pecado por nós e o que é exaltado acima dos querubins, assumiu o nosso lugar, como nosso fiador. Ele se fez maldição por nós e, sorveu, sozinho, o cálice amargo da ira de Deus, morrendo morte de cruz, para nos dar a vida eterna. Jesus veio nos revelar de forma eloquente o amor de Deus. Não foi sua encarnação que predispôs Deus a nos amar, mas foi o amor de Deus que abriu o caminho da encarnação. A encarnação do Verbo não é a causa da graça de Deus, mas seu glorioso resultado. Jesus veio ao mundo não para mudar o coração de Deus, mas para revelar-nos seu infinito e eterno amor. Essa é a mensagem altissonante do Natal. Esse é o núcleo bendito do Evangelho.

sábado, 23 de novembro de 2013

Alegria, alegria

Por Manoel Nerivaldo Lopes
Leitura Bíblica: Habacuque 3.17-18

"Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: Alegrem-se!" (Filipenses 4.4)

Talvez alguns se lembrem de uma música com o título desta mensagem, que falava em caminhar contra o vento, sem lenço e sem documento. Mas não é dela que falaremos aqui, e sim do recado do apóstolo Paulo aos cristãos de Filipos no versículo em destaque.

As pessoas se alegram por vários motivos. Há a alegria que move as multidões nas festas populares e nos aniversários, nos shows artísticos, nas vitórias do clube de coração, na aprovação em exames... Mas tudo isso passa. A alegria pela vitória de seu clube pode ser a tristeza por uma derrota do próximo jogo. A do carnaval termina na quarta-feira de cinzas, às vezes de maneira triste e trágica. Competições esportivas, eleições ou vestibulares sempre causam alegria em uns e tristeza em outros: o que faz rir também faz chorar. Em fim, a alegria pode durar a noite inteira, mas sempre chega a manhã., e com ela a realidade, As alegrias da vida não são eternas.

Não é assim com a alegria no Senhor; ela não leva ninguém à tristeza e é eterna, mesmo em meio às tribulações da vida.

Alegramos-nos no Senhor porque Ele tem as palavras de vida eterna (Jo 6.68); Ele é o caminho, a verdade e a vida, e nos leva ao Pai (Jo 14.6); Seu sangue nos purifica de todo o pecado (1 Jo 1.70; Ele vive sempre para interceder por nós (Hb 7.25); Ele nos dá a vida eterna (Jo 10.28).

Alegramo-nos no Senhor porque, ainda que andemos pelo vale da sombra da morte, não há o que temer pois Ele está conosco (Sal 23.4); porque sabemos que por Sua vitória na cruz e Sua ressurreição o túmulo não é o fim, mas a passagem para a vida eterna (Jo 11.25). Alegremo-nos no Senhor como profeta Habacuque expressou no texto da leitura de hoje.

Por isso, mesmo caminhando em meio às dificuldades desta vida,  ainda que sem lenço e sem documento, ao ouvir a voz do Senhor me chamar, responderei: Eu vou!

Na presença de Deus, a alegria cresce por si.

Presente Diário 16 - rtm

sábado, 2 de novembro de 2013

A abundante graça de Deus

Desde o Pentecostes, a igreja de Jerusalém, cheia do Espírito Santo, crescia em números e em graça. Permanecia firme na palavra e arraigada na oração. Tinha intimidade com Deus e simpatia aos olhos do povo. Adorava a Deus com entusiasmo e em cada alma havia temor. Nessa igreja havia uma liderança cheia do Espírito e um povo comprometido com a santidade. No capítulo quatro de Atos, somos informados que em todos os crentes havia abundante graça (At 4.33). Cinco verdades nos chamam a atenção na passagem em apreço.


Em primeiro lugar, abundante graça apesar de atroz perseguição (At 4.3). Os líderes da igreja estavam sendo encerrados em prisão e açoitados não porque fossem delinquentes e perturbadores da ordem social, mas porque pregavam o poderoso evangelho de Cristo. Uma igreja fiel sempre despertará a fúria do mundo. Uma igreja santa sempre incomodará uma sociedade rendida ao pecado. Porém, apesar de viver debaixo de opressão, a igreja tinha abundante graça, exuberante alegria e poderoso testemunho. 


Em segundo lugar, abundante graça manifestada num ousado testemunho (4.8). A igreja dava audacioso testemunho do evangelho mesmo debaixo das ameaças mais ruidosas. Longe da igreja recuar e calar sua voz diante dos açoites e prisões, tornou-se mais intrépida. O apóstolo Pedro, cheio do Espírito Santo, deixou claro que a cura do paralítico (descrita no capítulo 3 de Atos) não era um prodígio realizado por seu próprio poder. Era uma obra soberana de Jesus, o mesmo que vencera a morte, ressuscitando dentre os mortos. Pedro não se concentra no milagre da cura, mas anuncia a Jesus como o único que pode salvar o pecador. O milagre não é o evangelho, mas abre portas para o evangelho. Pedro não hesitou em proclamar no quartel general do Judaísmo que o Messias esperado era o Jesus que havia sido crucificado em Jerusalém e levantado da morte. Não há nenhum hiato entre o Cristo divino e o Jesus histórico. Ele é o Salvador do mundo. 


Em terceiro lugar, abundante graça demonstrada em fervorosa oração (At 4.24). Enquanto a liderança da igreja é ameaçada pelas autoridades no front da batalha, a igreja fica na retaguarda da oração. Longe desses crentes perderem a coragem e o fervor espiritual diante da perseguição, entregam-se à oração com mais fervor, sabendo que Deus é soberano e que até mesmo as ações mais perversas dos ímpios estão rigorosamente sob o controle de Deus. A igreja não pede cessação da perseguição, mas poder para testemunhar no meio da perseguição. A igreja não pede ausência de luta, mas oportunidade para pregar. Enquanto os crentes oravam, o Espírito Santo desceu sobre eles. A casa onde estavam reunidos tremeu e todos, com intrepidez, deram testemunho de Cristo. Não há poder sem oração e não há eficácia na pregação sem oração. A igreja precisa não dos aplausos do mundo, mas do poder do Espírito Santo. Precisa não do reconhecimento da terra, mas da intrepidez do céu. 


Em quarto lugar, abundante graça revelada na plenitude do Espírito Santo (At 4.31). Quando a igreja orou, os céus se abriram, o Espírito Santo desceu e todos ficaram cheios do Espírito Santo. Antes desse revestimento de poder a igreja estava trancada por medo; agora, é trancada por falta de medo. Antes, eles temiam os açoites das autoridades, agora são as autoridades que temem a igreja. Uma igreja cheia do Espírito é irresistível. Ela não teme ninguém a não ser a Deus. Ela não foge de nada exceto do pecado. Um crente cheio do Espírito Santo pode até ser preso e algemado, mas se torna um embaixador em cadeias. Os homens podem prender a nós, mas jamais a palavra de Deus. 


Em quinto lugar, abundante graça comprovada pela visível generosidade (At 4.32). Uma igreja cheia de graça é apegada às pessoas e desapegada das coisas. Não retém os bens apenas para si; distribui-os com generosidade. Não acumula com ganância, mas distribui com generosidade. Ama não apenas de palavras, mas de fato e de verdade. Suas obras são o avalista de seus palavras. Prega não apenas aos ouvidos, mas também aos olhos!