"Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Buscai sempre a Sua face."

Agostinho de Hipona



quarta-feira, 10 de julho de 2013

Tire pedras do caminho


“Disse Jesus: `Tirem a pedra” (Jo 11. 39). No Evangelho de João, temos a narrativa do apóstolo a respeito da ressurreição de Lázaro. Nesse texto o evangelista conta que Lázaro, irmão de Marta e Maria havia morrido. Maria, entristecida, procurou Jesus para contar o que havia acontecido. Imediatamente Jesus foi ao túmulo, que era uma caverna, onde havia uma pedra posta sobre ela. Diante do constrangimento de todos, disse Jesus: “Tirem a Pedra” (Jo 11. 39). E em seguida, depois de pedir a Deus em oração, Ele ordenou : “Lázaro, venha para fora” (Jo 11. 43). E todos os que estavam ali no cemitério ficaram maravilhados com a ressurreição de Lázaro!

Que lições podemos tirar desse fato para a nossa vida? Primeiramente precisamos relembrar que pedras no caminho ou mesmo no sapato de alguém sempre incomodam e prejudicam a caminhada pelas estradas da vida. Além do sentido “ao pé da letra”, isto é, do sentido físico da expressão, uma pedra no caminho pode significar um obstáculo qualquer na vida pessoal, familiar, moral, profissional ou espiritual que esteja impedindo o nosso bem-estar, a nossa paz e segurança, o cultivo de valores permanentes como o amor, a justiça entre outros.
Para o nosso progresso, reconhecer as pedras que estão em nosso caminho e que nos têm impedido de viver satisfatoriamente, é fundamental. A não ser que seja uma pedra preciosa! Esta, certamente, poderia também mudar a vida de muita gente! Não sendo neste sentido, pedras no caminho sempre são obstáculos a serem superados. Que obstáculos poderiam ser esses?
Pedras no caminho como obstáculos a serem superados na vida podem ser: vícios relacionados a usos e costumes (beber, fumar, jogar, usar drogas, falar mal do próximo, entre outros); vaidade, orgulho, individualismo, egoísmo, preguiça, ressentimentos, ódio, espírito de vingança, mentira, arrogância, soberba, problemas morais envolvendo a família e muitos outros.
Todas essas pedras em nosso caminho certamente dificultarão a nossa caminhada, na medida em que são capazes de criar “calos” em nossa moralidade e espiritualidade, gerando assim dores e sofrimentos. São pedras que nos impedem de sair da “caverna” de nossa existência e de podermos assumir a vida com grandeza, alegria e paz.
Como podemos superar as pedras como obstáculos que impedem o nosso bem-estar? Alguns têm procurado superar essas pedras com recursos próprios e têm sido felizes. Tentam vencer os vícios do mal usando certos artifícios: apelam para a ajuda de especialistas, para a rotina de exercícios físicos capazes de ajudar a sistematizar hábitos ou mesmo buscam entre místicos a força que precisam para vencer os obstáculos.
Não podemos desconhecer que em certos casos, há mesmo quem consiga tirar essas pedras que atrapalham em busca de felicidade, ainda que nem sempre de maneira tão eficaz. Há também quem não tente nada e, apesar dos sofrimentos, procuram contemporizar a situação sem as soluções desejáveis.
Reconheçamos, porém, com seriedade, que existem pedras em nosso caminho que, apesar de nossos esforços, sempre teremos dificuldades para afastá-las. A família e os amigos de Lázaro tinham diante de si uma pedra superior às suas forças que era a realidade da própria morte. Lázaro era um homem morto há quatro dias. Ninguém naquele lugar poderia remover aquela pedra com sucesso. A pedra física, que estava posta sobre a caverna na entrada do túmulo, todos podiam tirar. Mas a pedra da morte que impedia a liberdade e a vida de Lázaro, somente Jesus podia remover.
Em nossa vida é também assim: repetimos, existem pedras em nosso caminho que podemos removê-las, com nossas forças, com nossa boa-vontade, com nossos recursos pessoais ou mesmo com a ajuda de alguém. Por outro lado, não nos esqueçamos das pedras em nossa vida moral e espiritual que, pelo seu porte, somente Deus, através de Cristo pode tirá-las de nosso caminho, desde que creiam nele.
Jesus Cristo tem poder para remover as situações consideradas sem jeito na vida humana. Se a sua vida tem sido considerada um caso sem jeito; se os seus problemas pessoais são de difícil solução; se você se sente ameaçado de morte em sua vida profissional, conjugal, familiar, moral, física ou espiritual, procure fazer a sua parte, tirando do caminho as “pedras” que estão ao seu alcance como o orgulho, a vaidade, a soberba, o egoísmo, a mentira, entre outras, e deixe o que você não pode fazer por conta de Jesus Cristo.
Ele tem todo poder no céu e na terra para afastar quaisquer que sejam as pedras do caminho que estejam tirando a nossa liberdade e nos ameaçando de morte. Por isso, “Ponha sua vida nas mãos do Deus Eterno, confie nele, e ele o ajudará” (Sl 37. 5), a tirar as pedras que têm atrapalhado o seu caminho!

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Por que a igreja deve orar?



A oração é a maior força que atua na terra. Orar é conectar o altar com o trono, é unir a fraqueza humana à onipotência divina. É entrar na sala do trono e falar com aquele que tem as rédeas da história em suas mãos. Sendo Deus soberano, escolheu agir na história por meio das orações do seu povo. A oração move o braço daquele que governa o universo. Nada é impossível para oração feita a Deus, em nome de Jesus, no poder do Espírito, porque nada é impossível para Deus. Tudo quanto Deus pode fazer, pode ser alcançado pela oração. Uma igreja de joelhos tem mais poder do que um exército. Destacaremos três pontos para nossa reflexão. 

Em primeiro lugar, pela oração Deus traz grandes livramentos ao seu povo. Israel estava no cativeiro, debaixo da chibata dos egípcios, com os pés no barro e as costas esfoladas. O povo clamou a Deus e Deus viu, ouviu e desceu para libertá-lo da escravidão. Pedro estava preso, na prisão máxima de Herodes, sob forte vigilância de escolta policial, aguardando o final da Páscoa para ser executado. Havia, porém, oração incessante da igreja em seu favor. Deus enviou seu anjo para despertar Pedro e adormecer os guardas. A situação se inverteu: Pedro foi solto e Herodes foi morto. Quando a igreja ora, os céus se movem, a igreja é fortalecida e os inimigos são desbaratados. 

Em segundo lugar, pela oração Deus cura os enfermos. Deus perdoa todas as nossas iniquidades e sara todas as enfermidades. Ele é o Jeová Rafá, o Deus que nos cura. Para ele não há causa demasiadamente difícil. Portanto, a última palavra não é da medicina, mas de Deus. Assim como Jesus, em seu ministério terreno, levantou os paralíticos, curou os cegos e purificou os leprosos, assim também, hoje, ele cura os enfermos em resposta às orações da igreja. Devemos nos aproximar de Deus como o leproso aproximou-se de Jesus: "Senhor, se tu quiseres, tu podes purificar-me". Deus pode tudo quanto ele quer. Para ele não há doença incurável nem causa perdida. Por isso, os apóstolos oraram pelos enfermos. Os pais da igreja oraram pelos enfermos. Os reformadores oraram pelos enfermos. Os avivalistas oraram pelos enfermos. Nós, também, precisamos orar pelos enfermos, pois a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará. 

Em terceiro lugar, pela oração Deus fortalece sua igreja com poder. Os grandes reavivamentos espirituais aconteceram em resposta às orações da igreja. O derramamento do Espírito é sempre precedido pela oração e vem em resposta às orações. O Espírito Santo desceu sobre Jesus no rio Jordão quando ele estava orando. O Espírito Santo foi derramado no Pentecostes quando a igreja perseverava unânime em oração. O poder de Deus vem pela oração. Sem oração não há poder. Sem oração a pregação não produz vida. Os apóstolos entenderam que deveriam se consagrar à oração e ao ministério da Palavra. Oração e Palavra precisam caminhar juntas. Precisamos ter luz na mente e fogo no coração. Não basta apenas proferir a Palavra de Deus, é preciso ser boca de Deus. Não basta conhecer a respeito de Deus, é preciso ter intimidade com Deus. Sem oração os púlpitos serão fracos e infrutíferos. A pregação é lógica em fogo. O pregador precisa arder. Precisa pregar no poder do Espírito e em plena convicção. O apóstolo Paulo disse que a sua palavra e a sua pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder. Que a igreja se desperte para oração e que por meio da oração humilde, fervorosa e perseverante, as torrentes do Espírito caiam sobre nós, trazendo restauração para a igreja e salvação para os perdidos.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Prioridades na família




A família é um projeto de Deus. Foi a primeira instituição divina. E foi criada para a glória de Deus e nossa felicidade. Para que a família colime esse elevado propósito, necessário se faz que observemos algumas prioridades.

Em primeiro lugar, Deus precisa vir antes das pessoas. Devemos amar a Deus com toda a nossa alma e de toda a nossa força. Devemos buscar em primeiro lugar o seu reino e a sua justiça. Para ser um discípulo de Jesus é preciso estar disposto a deixar pai e mãe e amá-lo mais do que qualquer outra pessoa, por mais achegada que seja a nós. Deus ocupa o primeiro lugar em nossa vida, ou então, ainda não sabemos o que é segui-lo. O que é importante destacar é que, quanto mais amamos a Deus, mais amamos nossa família e mais fortes ficam nossos relacionamentos interpessoais. A nossa relação com Deus cimenta os demais relacionamentos, colocando-os dentro de uma correta perspectiva. 

Em segundo lugar, o cônjuge precisa vir antes dos filhos. Pecam contra o cônjuge e contra os filhos, aqueles que colocam os filhos em primeiro plano e o cônjuge em segundo plano. O maior presente que podemos dar aos nossos filhos é amar, com desvelo, o nosso cônjuge. A maior necessidade dos filhos é ver o exemplo dos pais. Não há família saudável onde os relacionamentos estão fora dos trilhos. Investimos nos filhos, quando investimos em nosso casamento. Cuidamos dos filhos, quando priorizamos nosso cônjuge. 

Em terceiro lugar, os filhos precisam vir antes dos amigos. Precisamos ter discernimento para buscarmos as primeiras coisas primeiro. Nossos amigos são importantes, mas nossos filhos são mais importantes. Aqueles que não cuidam da sua própria família estão em total descompasso com o projeto de Deus. Não podemos sacrificar nosso relacionamento com os filhos para dar mais atenção aos nossos amigos. Nenhum sucesso vale a pena quando o preço a pagar é o sacrifício dos nossos filhos. Os pais precisam entender que seus filhos são prioridade. Precisam investir neles o melhor do seu tempo e o melhor de seus recursos. Precisam criá-los na admoestação e na disciplina do Senhor. Não podem procá-los à ira para quem não fiquem desanimados.

Em quarto lugar, as pessoas devem vir antes das coisas. Vivemos numa sociedade materialista e consumista. As prioridades estão invertidas. As pessoas esquecem-se de Deus, amam as coisas e usam as pessoas. Devemos, ao contrário, adorar a Deus, amar a pessoas e usar as coisas. Quando colocamos coisas no lugar de pessoas tornamo-nos insensíveis e apartamo-nos do projeto de Deus. Há pessoas que, infelizmente, têm mais cuidado com o carro do que com os membros da família. São mais zelosos com seus objetos pessoais do que com os relacionamentos dentro de casa. Amam mais os bens materiais do que os membros da família. 

Em quinto lugar, o reino de Deus precisa vir antes dos nossos projetos. Temos visto muitos crentes dando para a Deus a sobra dos seus bens, de seus talentos e do seu tempo. São pessoas que só se preocupam com as coisas terrenas. Correm atrás de seus próprios interesses enquanto a obra de Deus fica relegada a segundo plano. Essas mesmas pessoas, nas palavras do profeta Ageu, semeiam muito e colhem pouco; vestem-se, mas não se aquecem; comem, mas não se satisfazem; e o salário que recebem, colocam-no num saco furado. O pouco que trazem, Deus o assopra, porque não aceita sobras, uma vez que requer primícias. Precisamos buscar em primeiro lugar o reino de Deus. Precisamos investir as primícias da nossa renda na promoção do reino de Deus. Precisamos investir em causas de consequências eternas. Nossa felicidade pessoal e familiar alcançarão sua plena realização, quando essas prioridades estiverem alinhadas em nossa vida!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Bonhoeffer, a graça barata e o evangelho da prosperidade


Há 68 anos (no dia 09 de abril de 1945) morria Dietrich Bonhoeffer, pastor e teólogo da Igreja Luterana da Alemanha.

Este erudito, ordenado e doutorado aos 21 anos, autor de vários livros, é conhecido por sua coragem e seu compromisso cristão. Quando a Igreja Católica guardou silêncio e igrejas cristãs protestantes mantiveram-se à margem, com a desculpa de "neutralidade" diante do tirano e despótico regime que pretendia levantar Hitler, Bonhoeffer foi coerente com seu discurso e levantou sua voz.

Ele teve a oportunidade de ficar nos Estados Unidos em meio aos alvores que prognosticavam uma guerra mundial. No entanto, preferiu voltar ao seu país para cuidar do rebanho que Deus lhe havia entregue. Tinha sob sua responsabilidade um seminário que depois foi fechado pela Gestapo. Foi proibido de falar e ensinar mas, obedecendo ao seu chamado, continuou seu trabalho clandestinamente.

Acusado de cúmplice no plano para matar Hitler, Bonhoeffer foi preso e passou seus dois últimos anos de vida em uma prisão de Berlim, aguardando sentença final. Ali se dedicou a escrever vários de seus livros, que são conhecidos até hoje. Entre eles, "O Custo do Discipulado"1, uma joia da literatura cristã, que faz uma exposição à luz do Sermão do Monte (Mateus 5). 

Seu argumento era pôr em evidência o que significa professar uma fé abstrata, legalista e desencarnada do verdadeiro compromisso e da transformação que Jesus exige como o coração do Reino de Deus para os seus seguidores. Uma fé que não toca a alma nem a consciência, um cristianismo sem Cristo e sem cruz é uma fé estéril, inútil e vazia porque, ao final, não é sustentável. A isto Bonhoeffer chamou de “a graça barata”.

" A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina de uma congregação, é a Ceia do Senhor sem confissão dos pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado”.

73 anos depois do pastor Bonhoeffer ter escrito estas palavras em um contexto de tribulação por defender sua posição, é triste reconhecer que hoje alguns setores trilham o mesmo caminho que visa baratear a fé.

A fé se torna barata quando é oferecida como um produto de consumo para satisfazer as massas que buscam uma mensagem que se encaixe aos seus desejos pessoais. Quando é oferecida como espetáculo para um público que deseja que se adoce os ouvidos e se prometa estabilidade para seu "status quo". Quando se defende a identidade de ser filho ou filha de Deus como uma garantia para reivindicar as promessas materiais em troca de uma módica soma ou transação monetária a que alguns chamam de “lei da semeadura e da colheita” ou “pacto com Deus”.

Recentemente um tele-evangelista latino-americano ensinou (se é que se pode chamar de ensino) que devemos reclamar a Deus por qualquer necessidade material existente e pedir o "carro dos nossos sonhos como um direito adquirido por sermos seus filhos”.
Em seus trinta minutos de exposição, em nenhum momento ele fez menção a outros elementos presentes na mensagem apostólica, tais como a justiça, a responsabilidade, a obediência, o arrependimento e o seguimento como parte integral do discipulado que Jesus viveu, encarnou e buscou.

Os promotores dessas correntes correm perigo de ensinar falsos ensinamentos e, assim, reduzir a mensagem a “migalhas espirituais”. Bonhoeffer tinha razão ao afirmar que "a graça barata é o inimigo mortal da igreja".

A última conferência mundial sobre evangelização “Lausanne 3”, celebrada na Cidade do Cabo, África do Sul, se pronunciou contra a má interpretação bíblica e até a manipulação que se tem feito para alimentar o materialismo. Um dos oradores mencionou, em seu discurso intitulado "Deus promete abençoar o seu povo," que o evangelho da prosperidade distorce o conceito de bênção quando a reconhece apenas no sentido material.

Outros preletores também comentaram o problema:

“Nós não podemos usar a opção de comprar a graça de Deus, e isso é o que faz o evangelho da prosperidade”. 

“Dar é parte da nossa adoração, mas o evangelho da prosperidade faz com que o dar seja uma atividade de barganha”.

“Aos crentes é ensinado que quando fazem uma oferta a Deus podem esperar uma rentabilidade determinada. Mas Deus abençoa de acordo com a sua sabedoria, e não necessariamente com riqueza material”.

Como crentes, não podemos permanecer calados diante desses falsos ensinos que continuam a permear a igreja e prejudicam a fé. Mas o mais preocupante é que eles continuam a arrastar milhares de seguidores para beber dessas águas turvas e ilusórias. E ainda mais perturbador é que eles estão deixando para as futuras gerações um legado de discipulado que em nada reflete o coração do Reino.

Bonhoeffer não se calou porque reconheceu que seu dever como um discípulo do Senhor era falar. Deus espera algo menos de cada um de nós, hoje?

Nota:
1. Publicado no Brasil pela Editora Sinodal, com o título “Discipulado”.

__________
Alexander Cabezas Mora é costa-riquenho e coordena o setor de relações eclesiásticas de Viva da América Latina. É membro da secretaria administrativa do Movimento Cristão “Juntos con la Niñez” e integrante da Fraternidade Teológica Latino-americana.

Tradução: Ana Cristina Aço Martins.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Creio na Ressurreição do Corpo

“Para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário o vigor tanto do corpo como do espírito. Vigor que nos últimos meses diminuiu em mim de tal forma que hei de reconhecer minha incapacidade para exercer bem o ministério que me foi encomendado” (Ratzinger). Essa foi uma das mais surpreendentes declarações deste início de século. Uma constatação óbvia de que os seres humanos têm um corpo sujeito à velhice, dor e doença, sinais de nossa finitude. O Papa confessou, com a ajuda da limitação de seu corpo, a nossa condição humana. Mas para os crentes em Jesus de Nazaré, esta limitação é fonte de iluminação e esperança no porvir! A ressurreição de Cristo põe um ponto final em todo um sistema até então invencível: o sistema da morte.

Embora haja um número grande de evidências sobre a ressurreição de Jesus, deve ficar claro que é a fé que determinará a veracidade da ressurreição. Para o cristão, a fé na Palavra de Deus é o maior testemunho da ressurreição (I Co 15.1-4), pois o AT anunciou que o Messias não seria vencido pela morte (Os 6.2). O corpo de Jesus foi colocado em um sepulcro, fechado por uma pedra de aproximadamente 2 toneladas, difícil de ser removida (Mt 27.60), com uma escolta de aproximadamente 16 homens. A pedra foi selada, indicando que o túmulo estava sob a proteção do Império romano. Quem quer que quebrasse o selo seria morto (Mt 27:66).

A Bíblia não deixa dúvidas sobre a ressurreição física de Jesus (At 10.41; Lc 24.39). Jesus possuía um corpo material que foi sujeito à dor e morte. Porém, a morte não o limitou (Jo 11:25). A Ressurreição de Jesus de Nazaré é uma demonstração majestosa do Poder de Deus que pode salvar a todos. A Ressurreição é a consumação e o restabelecimento do Pacto. Sem a Ressurreição simplesmente não haveria redenção, pois a Ressurreição consuma a redenção (Rm 8:23). A Ressurreição de Jesus é poder na vida do crente. É por meio da Ressurreição de Cristo que Deus da vitória para o crente nesta vida (Rm 6.4,5). A conversão introduz 2 novas realidades na vida do crente, uma de morte e outra de vida. O crente é unido na morte e na Ressurreição de Cristo, assim morre para o pecado, e ressuscita juntamente com Cristo para uma vida totalmente nova (Rm 6.11). A partir da Ressurreição de Jesus de Nazaré o crente é elevado a uma nova posição (Ef. 1:17-23). A ressurreição de Cristo garante que todos os crentes ressuscitarão (ICo 15.42-52). A ressurreição nos traz paz com Deus (Rm 4.25; 5.1). vivamos Sua Ressurreição. Soli Deo Gloria.
Rev. Leandro Oliveira