"Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Buscai sempre a Sua face."

Agostinho de Hipona



terça-feira, 25 de maio de 2010

Orar? Para quê?

Você sabe que dia é hoje? Sim, domingo, 23 de maio, Dia Mundial das Comunicações Sociais, Dia Mundial da Tartaruga e... Dia de Pentecostes. Dia do quê? De Pentecostes, o 50º dia após o domingo de Páscoa. Nesse dia, nós cristãos, celebramos a descida do Espírito Santo sobre os discípulos e seguidores de Jesus (At 2.1-4). O relato bíblico informa que os discípulos estavam reunidos em oração quando desceu sobre eles o Espírito Santo, o outro Consolador, conforme Jesus disse que habitaria neles (Jo 14.17), os guiaria a toda a verdade (Jo 16.7,13) e os capacitaria a serem testemunhas (At 1.8).


O dia de hoje foi escolhido para ser um Dia Mundial de Oração, onde os cristãos de quase todos os países são convocados para se reunirem e orar! Essa ação faz parte da Campanha Mundial de Oração 2010 – 10 dias de oração constante, realizada pelos cristãos espalhados pelo mundo (veja www.cmo.org.br). A meu ver, não haveria data mais propícia pelo que nos trás a memória: um povo em oração, Espírito Santo em ação, evangelho em expansão, vidas em transformação!

Quando fui convertido pelo Senhor, uma das realidades da vida cristã que mais me incomodava era a oração. Eu não conseguia entender como algumas irmãs da igreja conseguiam passar tanto tempo orando! Na busca por entendimento li muitos textos e alguns livros e, é claro, fui sendo ensinado acerca do tema. Mas descobri que aprendemos a orar e a dedicar tempo em oração, orando! Entendi o que aquelas irmãs experimentavam! Minha interrogação se transformou em interjeição!
Martin Lloyd Jones, pastor e teólogo reformado, escreveu: “A oração é sem sombra de dúvida a mais elevada atividade da alma humana. O homem encontra-se no seu melhor e mais elevado estado quando, de joelhos, fica face a face com Deus.” 

Uma pergunta que sempre faço é: “Se é tão bom estar diante de Deus em oração, por que tenho tanta dificuldade em dedicar tempo para isso?”. Essa também é sua pergunta? John MacArthur Jr, pastor e escritor, afirma que: “Estar a sós com Deus... deveria ser o maior desejo do cristão”. Mas por que não é? Tenho aprendido duas coisas em relação a isso: 1º que existe uma luta espiritual e 2º existe entendimento incorreto sobre oração. 

Não se engane, pelo fato da oração nos propiciar comunhão e intimidade com Deus, sendo vital para nossa saúde espiritual e cumprimento dos Seus propósitos, há um levante dos nossos inimigos (o mundo, a carne e o diabo) que, constantemente, trabalham para impedir nossa dedicação à oração.

Mas também existem entendimentos errados sobre oração. Para muitos, oração não se trata mais que um ritual de rotina. Outros tantos entendem que se destina apenas a fazer exigências e reivindicações a Deus. Há ainda aqueles que substituíram a oração pela ação pragmática, ou seja, a atividade humana dispensa a oração. E se defendem: “Deus já sabe, não preciso orar”. E para você, o que é oração?

A essência da oração é falar com Deus: o Criador, Sustentador, Soberano, Salvador, Santo, Eterno! Expondo o que está em seu coração, pedindo perdão pelo que se configura pecado, suplicando transformação ao jeito de ser e direção para o caminho a seguir. Orar não se trata de pedir a Deus para fazer a nossa vontade ou atender nossos desejos, mas uma afirmação de Sua Soberania suplicando que nos conforme à Sua vontade e propósitos! Oração é relacionamento em ação: intimidade com Deus que me leva a agir no mundo para cumprimento de Sua Vontade!

Em seu livro, A sós com Deus, MacArthur Jr escreve: “Para os cristãos, orar é como respirar. Você não tem de pensar em respirar porque a atmosfera exerce pressão sobre os seus pulmões e o força a fazer isso. É por isso que é mais difícil prender a respiração do que respirar. Semelhantemente, quando você nasce na família de Deus, você entra em uma atmosfera espiritual onde a presença e a graça de Deus exercem pressão ou influência sobre sua vida. A oração é a resposta normal a essa pressão. Como crentes todos entramos na atmosfera divina para respirar o ar da oração. Somente desta forma poderemos sobreviver nas trevas do mundo.”
E então, você está respirando?

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Jeová no banco dos réus

João Heliofar de Jesus Villar


Há quem diga que é um exagero, mas não seria de todo inexato dizer que devemos, ao menos em parte, o cânon bíblico a um herege que, mesmo herege, não deixou de prestar um serviço relevante à história da Igreja. Márciom, no segundo século, decidiu quais deveriam ser os textos inspirados e criou o primeiro cânon. Era uma seleção singular. O Deus do Antigo Testamento foi deixado de lado, porque não se coadunava com a revelação graciosa que ele identificou em Jesus de Nazaré. Desse modo, seu cânon era uma cuidadosa seleção de escritos, com especial destaque para as cartas de Paulo, o grande teórico da doutrina da graça. O que lhe parecia incompatível com esses ensinos foi cuidadosamente eliminado. Jeová, com suas guerras sangrentas, com suas imprecações e demonstrações de ira, obviamente nada tinha a ver com o Espírito gracioso que se manifestou na pessoa de Cristo. Num movimento notável, Márciom expurgou Jeová da Bíblia. 

O desafio obrigou a Igreja a definir o que efetivamente era canônico; isto é, dentre os escritos que corriam nas igrejas, o que poderia ser julgado como divinamente inspirado. Os pais da Igreja e as principais autoridades que defendiam a ortodoxia formularam suas listas que, depois de inúmeros debates que se estenderam até o quarto século, terminaram na confecção do que hoje aceitamos como as escrituras sagradas. 

A heresia de Márciom foi superada e a herança do Antigo Testamento foi integralmente preservada pela ortodoxia. Apesar disto, é de se reconhecer que se Márciom está morto, o cadáver é difícil de enterrar. De quando em quando seu fantasma reaparece para nos assombrar. Mesmo hoje, não é raro vermos Jeová sentado na cadeira dos réus, acusado de ser mera projeção das tendências sanguinárias do povo de Israel. Um Deus tribal, sedento de sangue, ciumento, iracundo, que não pode corresponder ao Deus de amor revelado nas páginas do Novo Testamento. Mesmo dentro da igreja há autores que atribuem tantos vícios ao Deus do Antigo Testamento quanto o rosário de maldades que Dawkins lançou sobre Jeová na sua propaganda neoateísta: “Deus, um Delírio”.

Qual a razão desse fenômeno? Por que é intelectualmente desconfortável defender o Deus do Antigo Testamento, o Senhor dos Exércitos de Israel? 

É difícil encontrar uma resposta só, porém uma pista que parece certeira aponta para o fato de que não há nada mais incompatível com o humanismo secular – que de tão perto nos assedia - do que um personagem que não submete seu padrão de justiça a nenhum paradigma culturalmente justificável. Não é difícil verificar atos de juízo na Bíblia, que são escandalosos do ponto de vista secular. Um padrão de justiça dessa natureza, incorretíssimo politicamente, inevitavelmente levaria o respectivo juiz à reprovação geral. 

Note por exemplo o episódio da execução de Uzá em 2 Samuel 6. A Bíblia relata que Davi resolveu trazer de volta a arca da aliança para Jerusalém, décadas depois de o objeto sagrado ter sido retirado da cidade santa. Durante o transporte, feito em carros de bois, um dos animais tropeça e a arca está para cair no chão, momento em que Uzá estende a mão para evitar a queda. Por ter tocado na arca ele cai fulminado no chão.

Que Deus é esse? Por que matar um ser humano pelo fato de ele tocar num utensílio? É razoável? 

Porém, esse texto e outros, como o que vemos na história dos filhos de Aarão em Levítico 10, revelam um contraste fatal entre a santidade de Deus e o pecado do homem. A inimizade é mortal. Ninguém viola impunemente os limites da santidade de Deus. O homem é pecador – cuide como haverá de se aproximar do seu criador. Mas como explicar isso aos nossos amigos da academia, à “Folha de São Paulo”, a Hollywood? Essa perspectiva nunca encontrará trânsito confortável numa cultura secular. Daí a solução de Márciom ser tão providencial e sedutora: vamos eliminar o inconveniente, expurgando esse Deus santo da Bíblia.

O interessante é que a proibição de se tocar nos utensílios do santuário – entre os quais estava a arca - está expressa, sob pena de morte, em Números 18.3. Mas quando a execução chega, quando uma vida humana é tirada com base numa transgressão humanisticamente irrelevante, secularmente inaceitável, o choque é inevitável. É fácil dizer que o salário do pecado é a morte, o difícil é testemunhar a concretização dessa sentença. 

Devido aos efeitos da absoluta dessacralização da cultura no pós-modernismo e de todo o movimento que tomou conta do último século no pós-guerra, somos a mais informal, a mais profana de todas as gerações. Profana não no sentido escandaloso do termo, mas no sentido de que ninguém antes ignorou (ou não compreendeu) o sagrado como esta geração. Gostamos de falar em graça e suspeitamos de que aquele que insiste em enfatizar santidade sofra de algum tipo de tara moralista.

Nós, como Márciom, corremos o risco de julgar repugnantes os atos de Jeová no caso de Uzá, dos filhos de Aarão etc. Por que Davi e Aarão não reagiram assim? Por que permaneceram – como nos parece - inacreditavelmente submissos? Por que os pais da igreja não seguiram a Márciom e não aceitaram o seu conselho de expurgar o Deus de Moisés? Por que não ficar apenas com o Deus de amor, revelado em Jesus Cristo?

Na verdade o mal está em nós, em nossa cultura. Os nossos antepassados não se impressionavam com os atos de juízo de Deus, simplesmente porque não eram humanistas. Não viam o mundo a partir de uma lente antropocêntrica. Ao revés, eram teocêntricos até o pescoço. O que lhes parecia incompreensível não era a justiça de Deus, mas sim o fato de que um Deus santo pudesse exercer misericórdia diante do homem pecador. Para eles, chocante era a misericórdia, não o juízo. O juízo sempre foi merecido. O escândalo – feliz escândalo – é que um Deus santo possa exercer misericórdia diante do que realmente somos.





terça-feira, 18 de maio de 2010

O sentido de ser povo de Deus

Estamos caminhando na fantástica leitura do livro de Deuteronômio. Esse livro destaca a dimensão prática e cotidiana da vida de fé após a grande experiência de libertação que o Senhor promoveu entre os israelitas, tirando-os da tirania da escravidão imposta pelos egípcios.  

O livro responde à pergunta mais fundamental que nós cristãos devemos fazer a cada momento da nossa vida. A questão é: que implicação a redenção provida por Cristo tem para a minha vida nesse lugar e nesse momento?

No livro de Deuteronômio, a redenção é vivida no dia-a-dia da vida e é nessa experiência de se viver a fé no dia-a-dia, que o povo de Israel é retratado de forma honesta, sem hesitação alguma, descrevendo-se os pecados dos seus líderes e os pecados do próprio povo. A eleição é ato vocacional ou missional no qual Israel deve servir ao Senhor da aliança. O chamado desse povo deve servir como um testemunho comunitário, manifestando o governo de Deus em sua existência corporativa. 

A noção de um povo escolhido por Deus jamais deveria ser usada para reivindicar-se superioridade sobre as demais nações, mas sim como um chamado para o serviço. Lembremo-nos que Deus julga o seu próprio povo e em muitas ocasiões, sendo mais duro com eles do que com as outras nações. Veja, por exemplo, o que Deus diz ao seu povo por meio do profeta Amós: “De todas as famílias da terra, somente a vós outros vos escolhi; portanto, eu vos disciplinarei por todas as vossas iniqüidades” (Amós 3.2). 

A inter-relação de eleição e missão implica a conseqüência de que os eleitos são responsabilizados a Deus para os propósitos do próprio Deus. Em Deuteronômio 7.6-11, por exemplo, o típico anúncio de que Deus escolhe um povo é imediatamente seguido por um chamado à humildade. É evidente que isso não resolve a questão do por que esse povo foi escolhido por Deus. 

Contudo, o que esse ato de escolher faz é chamar a atenção ao mistério do amor de Deus. Ao guardarem o coração do pecado do orgulho, o escritor de Deuteronômio lembra aos israelitas que o chamado à existência como povo de Deus foi unicamente um ato gracioso de Deus. Israel não teve contribuição alguma para esse ato divino. Somente uma fonte de motivação para esse ato explica o livramento de Israel da escravidão para a liberdade: o amor e a fidelidade de Deus às promessas feitas aos ancestrais dos israelitas.
 
Quais as implicações desse quadro para a vida da nossa igreja local? Precisamos nos compreender em termos do livro de Deuteronômio, pois ele nos provê uma interpretação do ministério e da missão do povo de Deus, assim como proveu para Jesus Cristo e a própria comunidade de discípulos que viveu em torno do Mestre.

A revelação bíblica afirma em sua totalidade que o propósito redentivo de Deus é executado por meio do chamado de um povo em particular, uma tribo entre todas as tribos da terra. Nós, como igreja de Cristo, que resultamos do evento e da pessoa de Jesus Cristo, não podemos nos conceber como uma associação voluntária de pessoas que acordam em torno de certas convicções sobre Deus. Precisamos compreender e viver pelo fato de que temos vindo à existência pelos atos poderosos de Deus e essa atividade do Criador brota da pura graça dEle e precede qualquer compreensão humana e aceitação de suas implicações.

Enquanto éramos escravos do nosso próprio Egito, vivendo em um cativeiro degradante sem fé e esperança, Deus estendeu a mão para nos resgatar. Ele nos tirou da escravidão e nos colocou na terra do descanso que Deus escolheu para o seu povo. Por meio de Cristo, eu e você somos colocados face a face com o Pai, e assim como Ele, lá no deserto, convidou os israelitas a compreenderem e aceitarem o significado e o sentido da vida deles como povo, nos convida hoje: “Vocês viram o que fiz aos egípcios e como trouxe vocês a mim como que sobre asas de águias! Pois bem. Agora, se derem cuidadosa atenção ao que digo, e cumprirem os termos da minha aliança, vejam que bênçãos! Serão minha propriedade particular dentre todos os povos. Toda a terra é minha, mas vocês serão minha propriedade especial. Serão um reino de sacerdotes meus, uma nação santa.” (Êxodo 19.4-6).
 
Deus nos chama para um relacionamento de comunhão com Ele e uns com os outros para o servirmos e cumprirmos os seus propósitos redentores.

terça-feira, 11 de maio de 2010

DIGA "NÃO" AO CONFORMISMO ESPIRITUAL!


O Pb. Solano Portela em seu livro Cinco Pecados que Ameaçam os Calvinistas, escreve no capítulo 4 que um desses pecados é o da falta de ação, o que eu chamo de conformismo espiritual, com o recente avivamento da doutrina reformada no meio evangélico mundial. Porém Satanás mais uma vez tem se levantado para enganar os incautos, isso porque a má compreenção de uma doutrina bíbica, leva indubitavelmente a má aplicação desta doutrina e é aqui que Satanás tem posto suas forças. Por isso gostaria de refletir um pouco acerca do conformismo espiritual, que é a tendência “lógica”, mas não bíblica, da Doutrina da Soberania de Deus quando isolada do todo bíblico.

Quando me refiro a conformismo espiritual, estou me referindo a tendência de se cruzar os braços, quando na verdade devemos agir. Alguns dizem '
nem um só pardal cai por terra se não for da vontade de Deus', isso é verdade obviamente, porém Deus nas Escrituras nos MANDA reagir diante de algumas situações, e a tendência dos “novos” calvinistas que, muitas vezes, não se aprofundam no conhecimento das Doutrinas da Graça, é o de cruzar os braços diante das adversidades, desconhecendo, por exemplo, a doutrina bíblica da providência e da oração.

O Pr. Roger Smalling em seu livro “
Os Neo-Carismáticos e o Movimento da Prosperidade“, nos ensina que é errado nos submetermos passivamente a aflição como a vontade de Deus, posto que Ele é soberano e poderia ter-nos prevenido dela. Isso é verdade, porém Deus em sua Palavra, deixa claro que devemos reagir, da forma correta às situações que nos são apresentadas. E quando não fazemos isso estamos incorrendo em pecado, já que na maioria das vezes a tendência é agir da forma incorreta, e isso simplesmente por não ter compreendido corretamente uma determinada doutrina, ou ainda tê-la isolado do todo bíblico, incorrendo em heresia na aplicação.

Também não podemos esquecer que o não conformismo não é:

*Murmuração – Alguns por medo de estarem murmurando, baixam a cabeça e cruzam os braços diante das adversidades, mas esta atitude não é bíblica, e para isso devemos compreender o que é murmurar. Murmurar seria “falar contra alguém ou contra alguma coisa, criticar”. Biblicamente, murmurar seria “falar contra Deus”, “criticar a Deus”, ou simplificando “falar DE Deus”. A murmuração é o resultado da falta de oração em meio à aflição. Para os FILHOS de Deus, o propósito da aflição é a demonstração de dependência do Pai, já que a Escritura nos ensina que “Não veio sobre vós [crentes] tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.” (cf. 1 Co 10.13). Para que o crente não incorra em murmuração, deve sempre se colocar diante do Pai no altar da oração, buscando dEle o escape. Foi o que fez Paulo quando do “espinho na carne”, orou TRÊS vezes buscando livramento, até obter uma resposta de Deus, e só se “conformou” àquela situação depois disso, já que esta se mostrou a vontade de Deus para Ele.

*Confissão positiva – Muitos que tem saído em defesa das doutrinas bíblicas, têm se levantado contra a teologia da prosperidade e da confissão positiva, doravante TP e CP respectivamente, e no afã de sua defesa têm destituído a igreja da ousadia de comparecer diante de Deus mediante Cristo, para suprir TODAS as suas necessidades. Ora, Jesus disse “Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito” (cf. João 15.7). O problema da TP e CP, neste ponto específico, é que “colocam” Deus contra a parede, imputam a Deus uma OBRIGAÇÃO em fazer o que o homem quer, transformando Deus em “servo” da vontade humana, já que estes fizeram o que Ele lhes ordenou. O antídoto para TP e CP não é uma submissão passiva às adversidades, mas sim uma busca no próprio Deus por livramento, e isto através da oração. De nada adianta ter um grande conhecimento bíblico se a chama do Espírito não arder nos corações, e esta chama só é acesa no altar da oração.
    No livro de Atos, os apóstolos disseram "mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra" (cf. Atos 6.4). Quando os apóstolos colocaram a oração antes do ministério da palavra, eles não estavam ensinando que a oração é MAIS importante, mas estavam enfatizando a oração como meio que nos prepara para o ministério da Palavra, e não apenas para o ministério, mas para a compreenção das verdadeiras implicações práticas das doutrinas bíblicas.

    Grandes acusações feitas às doutrinas da graça, só são feitas porque em muitos inexiste a prática doutrinária, somos muito teóricos, e nada, ou quase nada, práticos. Já vi pessoas que se dizem calvinistas não depositarem em Cristo sua confiança para salvação, mas na compreensão torta que possuem da doutrina da eleição, e que caminham como aqueles que “
    convertem em dissolução a graça de Deus” (cf. Jd. 4b).

    Em Juízes 3.1,2, o Senhor diz que manteve os povos estrangeiros na terra para que os filhos de Israel aprendessem a guerrear. Da mesma forma isso acontece conosco, depois da nossa conversão Deus não retira da nossa vida as situações adversas, simplesmente porque deseja nos ensinar a lutar, Ele não quer filhos passivos, mas ativos e dependentes dEle. Quando não for para lutar Ele nos avisará, como fez com Josafá (cf. 2Cr 20.17), ou como está escrito no Salmo 46.10 (“
    Parem de lutar”-NVI).

    Concluindo, não é por crermos na absoluta soberania de Deus que devemos passivamente nos submeter às situações adversas que nos são impostas por Ele, mas devemos, confiando em Deus, reagir à estas situações com orações e súplicas, segundo a Sua vontade revelada na Bíblia, até que a paz de Deus que excede todo o entendimento guarde nossa mente e nossos sentimentos em Cristo. Na luta não
     reclameDE Deus aos outros, reclame COM Deus em oração.


    quinta-feira, 6 de maio de 2010

    EU SOU

    Leitura Bíblica: Êxodo 3:1-15

    “Eu Sou o que Sou. É isto que você dirá aos israelitas: Eu Sou me enviou a vocês”. (Ex. 3:14)

    Apesar de ter então só catorze anos de idade, lembro-me bem quando meu pai contou o choque que teve com a pergunta “O que ele era do senhor?” quando foi cuidar do sepultamento de meu avô. Como assim “era”? Sim – vovô passara de “é” para “era”.

    Somos finitos e mesmo aquilo que somos temporariamente não depende apenas de nós. Não podemos simplesmente ser porque somos, nem podemos garnatir que continuaremos sendo enquanto quisermos.

    No texto de hoje, lemos a auto-apresentação Daquele que chamamos Deus. Ela envolve imensa profundidade: “Eu Sou o que Sou” diz claramente que é Ele o único ser autoexistente, que independe de qualquer outro ser ou coisa.

    Ele é o absoluto, e tudo mais – quer seja físico ou espiritual – é relativo. É Nele que existimos e nos movemos. (At. 17:28)

    Isto tem tudo a ver conosco, com o jeito como vivemos.

    Ao compreender que o Deus da Bíblia não é apenas mais um deus, nem mesmo o maior deles, mas ninguém menos que o ser absoluto e soberano sobre o Universo e toda realidade espiritual, sento-me esmagado em minha insuficiência pra sequer dirigir-lhe a palavra.

    Mas quando lembro que ele se importou conosco a ponto de fazer seu Filho Jesus reduzir-se à condição de homem e pagar em Si mesmo o preço para que não apenas pudéssemos falar com Deus, mas chamá-lo Pai, e libertar-nos da escravidão do pecado, com fizera no Egito, entendo o sentido da palavra “graça” e meus joelhos se dobram em gratidão.

    Deixo então de percebê-lo como um “papai Noel” que preciso agradar para ganhar bênçãos, ou u deus manipulável a quem posso manobrar com superstições e práticas religiosas. Sujeitar-me a Ele e a Seus propósitos torna-se desejável, pois sei que só quer meu bem.

    E as bênçãos? Ah, essas são bem-vindas, mas usufruídas em um contexto de dependência, gratidão e seguramente não mais como prioridade. - MHJ  

    A grandeza de Deus nos conduz à submissão e gratidão.

    Pão Diário