"Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Buscai sempre a Sua face."

Agostinho de Hipona



sábado, 21 de agosto de 2010

A Promessa do Espírito


Por John Stott

“Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas [...] até os confins da terra.” (Atos 1.8)

No período de quarenta dias entre a Páscoa e a Ascensão, Jesus concentrou seu ensino em dois tópicos principais: o reino de Deus e o Espírito de Deus, cuja chegada Ele, o Pai (no antigo testamento) e João Batista haviam prometido. Parece que Jesus relacionou os dois tópicos, como fizeram os profetas no Antigo Testamento, afirmando que o derramamento do Espírito seria uma das maiores bênçãos do reino do Messias. A compreensão dos apóstolos em relação a esses acontecimentos, no entanto, parece ter sido confusa, como fica evidente na pergunta que eles fizeram a Jesus: “Senhor, é nesse tempo que vais restaurar o reino de Israel?” (v.s). Há vários erros nessa pergunta.

Primeiro, ao perguntar sobre a restauração do reino, fica claro que os apóstolos ainda sonhavam com a libertação política de Roma. Ao responder a eles, porém, Jesus afirma que o Espírito Santo lhes daria poder para testemunhar. O reino de Deus é a implantação de Seu governo sobre Seu povo. Ele é propagado por meio de testemunhas, não de soldados, através do evangelho da paz, não de uma declaração de guerra.

Segundo, ao perguntar sobre a restauração de Israel, fica evidente que os apóstolos ainda alimentavam aspirações limitadas ou nacionalistas. Eles esperavam que Jesus restaurasse a independência política de Israel, recuperada pelos macabeus durante um curto período no segundo século antes de Cristo. A reposta de Jesus ampliou seus horizontes. Eles começariam a testemunhar em Jerusalém, continuariam pela região da Judéia e chegariam “até os confins da terra”.

Terceiro, ao perguntar se Jesus iria restaurar o reino de Israel “nesse tempo”, eles estavam sendo presunçosos, como se já soubessem a resposta. Jesus começa dizendo que não lhes cabia saber tempos e datas que o Pai havia estabelecido pela Sua própria autoridade, e em seguida diz aquilo que deveriam saber: eles receberiam poder do Espírito para testemunhar “até os confins da terra”. Na verdade, o tempo entre o pentecostes e a parousia (que seja longo ou curto), deve ser preenchido com a obra missionária da igreja por todo o mundo.

Para saber mais: Atos 1.1-8   

Texto retirado do Devocionário A Bíblia Toda, O Ano Todo Meditações Diárias de Gênesis a Apocalipse, de John Stott, Tradução Jorge Camargo, Editora Ultimato.    

    

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Inútil


Leitura Bíblica: Jeremias 7.9-15
Por Teodoro Laskowski, Abbotsford, Candá


“Aproxime-se de Deus, e Ele se aproximará de você" (Tiago 4.8)

O autor do Salmo 127 declara que se alguém não tiver o Senhor por dono de um projeto, não adianta trabalhar na obra. Não será bem sucedido, e ninguém quer isso! Entretanto, milhares de pessoas seguem atividades inúteis, como venerar um certo lugar e seguir uma rotina de ritos religiosos.

No trecho lido hoje, Jeremias prega contra o seu povo, que leva uma vida deplorável, tentando encobrir tudo com a adoração habitual no templo de Deus. Pensam que, por sua lealdade ao templo, o Senhor os aprovará. Diante disso, como o porta-voz do Senhor, Jeremias denuncia o povo que se mostra religioso sem, contudo, mudar suas práticas pecaminosas.

Declara que, por essa mesma razão, Deus abandonou Siló, sua primeira habitação em Israel. Da mesma maneira, o templo em Jerusalém não os poderia defender contra a vinda do castigo, o cativeiro. Sua gritante hipocrisia nacional era confiar na lealdade tradicional ao templo sem se importar em deixar os seus pecados e demonstrar seu amor a Deus.

Hoje podemos cair no mesmo erro. Podemos ler a Bíblia, ouvir programas evangélicos no rádio e assistir aos cultos na igreja de modo costumeiro, sem aplicar as verdades bíblicas à nossa vida cotidiana. Os conflitos domésticos não mudam, nem as relações com os vizinhos e outros. Exigimos a honestidade de outras pessoas sem dar o exemplo.

Se não cultivarmos uma relação íntima com Cristo, viveremos de consciência pesada porque perdemos a oportunidade de testemunhar da nossa fé. Com paciência, Deus espera que confessemos nossos pecados e faltas, pedindo perdão ou a graça de nos aproximar Dele de coração.

Seguir o versículo acima evita um “templo” de uma vida religiosa rotineira, de atividades repetidas e inúteis. Para agradar a Deus, que tanto nos ama e quer o nosso bem, aproximemo-nos Dele com amor e sinceridade! 

Deus quer que nós mesmos sejamos o Seu templo.

Pão Diário 2010.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O Novo Templo

Por John Stott

Ora, você que destrói o templo e o reedifica em três dias, desça da cruz e salve-se a si mesmo.” (Marcos 15.29-30)

Eis aqui mais um abuso cometido pelos líderes judeus contra Jesus enquanto Ele estava na cruz. Ele diz respeito ao ensino de Jesus sobre o templo e merece a nossa reflexão hoje.

Comecemos pela atitude respeitosa do Senhor para com o templo como a casa de Deus. Jesus, é claro, conhecia a história de Israel. Estava bem familiarizado com a sequência de eventos do tabernáculo ao deserto, do primeiro templo construído por Salomão ao segundo templo iniciado após o exílio babilônico, e ao terceiro de Herodes, ainda em construção. Em cada um desses edifícios havia um santuário interno, ou o Santo dos Santos, no qual a glória shekiná, símbolo da presença de Deus, podia ser vista. Deus habitava no meio do seu povo, e o templo era o foco de sua vida espiritual.

Mas Jesus ficou chocado com a profanação do templo em seus dias, que servia para fins comerciais. A casa de oração havia se tornado um covil de salteadores. Assim, Jesus fez mais que purificar o templo; ele previu a sua destruição e a sua substituição: “Destruam esse templo, e eu o levantarei em três dias” (Jô 2.19). Seus ouvintes interpretaram o significado de suas palavras de modo totalmente equivocado. Eles protestaram afirmando que o templo de Jerusalém havia permanecido em construção por quarenta e seis anos; como seria possível reconstruí-lo em três dias? A afirmação era absurda.

João, no entanto, explicou que Jesus estava se referindo ao Seu corpo ressuscitado, que se tornaria um novo templo, o foco da nova comunidade messiânica. No futuro, mesmo quando apenas dois ou três discípulos estivessem reunidos em Seu nome, Ele estaria ente eles. (Mat 18.20)

Os contemporâneos de Jesus nunca esqueceram essa palavra. As falsas testemunhas relembraram o Sinédrio sobre elas. Enquanto Jesus estava na cruz, os sacerdotes zombavam de Sua profecia de um novo templo. As cartas do Novo Testamento, contudo, revelam essa profecia. O velho templo foi destruído no ano 70 depois de Cristo, mas agora a comunidade messiânica e ressurreta de Jesus é o novo templo, a habitação de Deus por meio do Seu Espírito (veja 1Co 3.16).

Para saber mais: Efésios 2.11-22

Texto retirado do Devocionário A Bíblia Toda, o Ano Todo Meditações Diárias de Gênesis a Apocalipse, de John Stott, Tradução Jorge Camargo, Editora Ultimato.     

   

sábado, 7 de agosto de 2010

Deus Fala!

Por Vanessa Weiler Ribas
LEITURA BÍBLICA: 1 Samuel 3.1-10

“Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras... mas nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho” (Hb 1.1-2),

Após seu milagroso nascimento – sua mãe era estéril – Samuel foi dedicado ao Senhor e passou a morar com o sacerdote Eli. Foi ali, no santuário, que Deus falou com ele. Mas demorou para que ele percebesse que era a voz divina que ouvia. O que é preciso para ouvir a voz de Deus?

1. Conhecer Deus. Samuel ainda não conhecia o Senhor (v7) e pensou que a voz fosse de Eli – a quem conhecia. Quem conhece Deus distingue Sua voz, mesmo em meio ao barulho da vida cotidiana.

2. Querer ouvir. É preciso buscar a Deus e prestar atenção quando Ele fala. No v1, lemos que raramente o Senhor falava naqueles dias. Analisando a família do próprio líder espiritual (2.12-17), podemos concluir que não havias muitos dispostos a ouvir a Deus. Porém, no v21 lemos que o Senhor continuou aparecendo a Samuel – agora sim, alguém queria ouvir!

3. Disposição para obedecer. Samuel foi obediente mesmo quando não concordava com Deus – por exemplo, quando Israel pediu um rei, Samuel protestou, mas foi obediente e ungiu Saul (8.6...). Quando Deus fala, espera que nossa resposta seja a obediência. Porque confiamos Nele, sabemos que obedecer é sempre melhor.

Deus falou com Samuel, Moises, Abraão, Josué e tantos outros personagens da Bíblia. Mas será que ainda fala hoje? Ele o chamou na última noite? Algum anjo veio lhe dar instruções? No versículo em destaque vemos que Deus fala, e muito alto, por meio de Cristo. Deus gritou na cruz, anunciando a salvação a todos.

Não espere que Deus mande anjos, queime arbustos, use sonhos ou fale diretamente com você. Procure sua voz na Bíblia, onde Deus se revela aos homens, na orientação do Espírito Santo e na obra de Cristo para salvar a humanidade pecadora.

Deus fala! Você tem ouvido Sua voz? Tem buscado um relacionamento com Ele? Tem obedecido ao que Ele diz?

Deus começa a falar pela Bíblia e usa nossa obediência para continuar.
         
Pão Diário nº 13

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O Jumento e EU


 Por C. H. Spurgeon

Todos os primogênitos de todos os animais tinham de ser do Senhor; mas, visto que o jumento era um animal imundo, não poderia ser apresentado como sacrifício – “O jumento, porém, que abrir a madre, resgatá-lo-ás com cordeiro; mas, se o não resgatares, será decapitado. Remirás todos os primogênitos de teus filhos. Ninguém aparecerá diante de mim de mãos vazias” (Êx 34.20). Então, o que devia ser feito? Ele ( o jumento) deveria ficar livre da lei universal? De maneira nenhuma. Deus não permite exceções às regras.

O jumento devia ser do Senhor, mas Ele não o aceitaria. Não havia outra maneira de escape, exceto a redenção – a criatura deveria ser salva mediante a substituição de um cordeiro em seu lugar. Se não fosse redimido, o jumentinho tinha de ser morto.

Minha alma, eis uma lição para ti. Aquele animal impuro é semelhante a ti. Tu és propriedade do Senhor, que te criou e te preserva. Mas tu és tão pecaminosa, que o Senhor não pode te aceitar, nem te aceitará. O Cordeiro de Deus tem de ser colocado em teu lugar, pois, do contrário, tu perecerás eternamente.

Que todo mundo conheça a tua gratidão para com aquele Cordeiro imaculado, que derramou seu sangue por ti e te livrou da maldição fatal da Lei. Às vezes, o israelita poderia ter perguntado quem deveria morrer, o cordeiro ou o jumento? Será que o bom israelita não avaliará e consideraria tais coisas? Certamente não existe comparação entre o valor da alma de um homem e a vida do Senhor Jesus. Apesar disso, o Cordeiro morreu, e o homem foi poupado.

Ó minha alma, admira o ilimitado amor de Deus por ti e pelos outros membros da raça humana. Vermes foram comprados com o sangue do Filho do Altíssimo! Pó e cinzas foram redimidos com um preço mais elevado do que prata e ouro! A condenação teria sido a minha porção, se a redenção não houvesse sido encontrada. Infinitamente magnífico é o glorioso Cordeiro que nos redimiu da morte.